digo sempre que em Berlin, deve de ter alguma máquina e alguém que aperta o botão desta, geralmente no início de novembro, as últimas folhas caem das árvores e o céu se cobre de um cinza que parece se impregnar na alma das pessoas. inclusive na minha. dezembro começa com um inenarrável cansaço, da falta de luz, do frio e da falta de calor humano.
dois invernos que eu quase que inteiramente não passei aqui, 2006/2007 estava no Brasil, calor, sol, praia e muitas festas. muitos risos. quando voltei das duas viagens, meu corpo e minha alma estavam repletos do sol, do calor, e das muitas risadas que havia dado. mas devo confessar meu corpo sentiu falta do inverno. é muito diferente poder vivenciar o dia a dia com quatro estações definidas. meu corpo sentiu uma certa falta do processo.
este ano, estou aqui no inverno, de certa forma muito quis assim. a confusão se fez e faz por eu estar sentindo falta das vivências dos dois invernos passados no exílio. lá...
ví a foto de Bernardo no barco, viajando para Camamu. e me bateu uma saudade enorme. praticamente me senti no próprio barco, sentindo o sol quente batendo na pele e aquecendo a alma.
senti-me literalmente num vácuuo, sem saber onde estou.
detesto natal, ano novo aqui é pior do que passar São João em cidade do recôncavo, o povo enlouquece aqui, e tome-lhe fogos de atifício das piores formas. parece até guerra civil. no dia 1 de Janeiro, só se vê cinzas e restos dos fogos pelo chão.
ainda nem sei o que farei durante estas duas próximas semanas. a escola de férias de natal, por 14 dias, o mundo se empanturrando de gansos, patos e perus, regados com dulcíssimas guloseimas cheias de mateiga, passas, tudo regado a cravo e canela.
não planejarei nada, deixarei tudo para na hora ver qual será o meu astral. a grande novidade e esperança sempre se dão no dia 21 de dezembro, aqui o dia mais curto do ano, a esperança de saber que a partir de então os dias voltarão a crescer de novo. e de que em janeiro alguém irá apertar o botão de novo e o cinza vai sair do céu e o sol volta a brilhar. e basta haver sol e qualquer coisa assim como 5 graus positivos para tudo parecer bem melhor.
fui

3 comentários:
Tô com o palpite que essas suas férias invernais - com V, olhe bem, he he - vão ser ótimas! Difícil eu errar nas previsões, viu?
Ass: Madame Janainá, taróloga intuitiva
Miro,
mesmo com sol, e sem foguetes, eu não suporto esta época de natal e revêion. Estou feliz porque faço zometa dia 23 e dia 24 preciso de resguardo não vou ao natal. Gostou? E este ano não faço comidinhas de revêion. Uma preguiiiiça pior do que a de Macunaíma.
Beijim di maricotim
parece coisa de paternostro: tb odeio esta época; pudesse eu estaria aí com vc, enrolado no xale da doida, falando mal do tempo e dos fogos; depois a gente pegava uma lancha e ia passear na baía de camamu
beijo
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