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8.16.2008

mainha

a foto colorida tirada no dia 16 de dezembro de 1978. depois desta mais nenhuma. exatamente um ano e oito meses depois ela partiu. são vinte e oito anos desde então. tanta coisa já se passou, mas as últimas vinte e quatro horas entre o o coma e a partida, se fecho os meus olhos lembro de cada segundo.
tanto que ainda me pergunto o que teria sido de mim se ela estivesse viva. certamente eu ainda viveria na Bahia, talvez uma bicha velha enrustida e gorda que vai aos domingos com a mãe à missa. talvez estivéssemos os três a morar juntos e felizes, ela, Bibita e eu. talvez eu estivesse a cuidar das seqüelas que ela provávelmente teria tido da trombose. talvez estivéssemos os dois a nos torturar entre altos e baixos de amor e ódio. sei só que estaríamos juntos até hoje.
tanta coisa que não pude dizer. tanta coisa que não soube dizer.
uma coisa o tempo me levou, o tom de sua voz.



















Ilnah Paternostro Pedreira
*31 de agosto de 1921
+16 de agosto de 1980

8.15.2008

triste bahia


"Miro, desculpe, mas tenho que me preocupar um pouquinho comigo e minha cadeira. sei que as pedras não têm culpa, mas com elas minha vida é um inferno. Numa cidade onde grito sozinho por tudo, vou gritar por mim mesmo: fora pedrinhas. To me lixando pro porto, para a história, para a beleza. tudo aqui fede e tudo aqui é feio, com ou sem pedra portuguesa. desculpe o desabafo." Comentário postado por Edu O. há três dias atrás.




voltei. ao abrir meus e-mails hoje de manhã, tinha um de Shirley Pinheiro, me avisando que se podia votar uma vez por dia. tarde demais. a votação acabou.

9580 votos a favor. 5267 votos contra. fiquei abestalhado! 63% dos votantes concorda com este absurdo. inenarrável derrota!

Edu querido, mesmo entendendo a sua questão quanto as pedrinhas portuguesas, tenho de argumentar com você. como eu mesmo já citei na última postagem, eu mesmo fui vítima do desleixo com as calçadas de pedra portuguesa. torci o pé. uma banalidade comparada ao seu problema, eu sei. mas nem mesmo esta banalidade deveria ocorrer.
quando em 1980 eu perdi minha mãe, na mesma época minha tia Alba, sua irmã ficou paraplégica por incompetência médica. no que pude eu ajudei e cuidei dela como pude. e sei bem o que é empurrar uma cadeira de rodas nas calçadas de Salvador, sem contar que minha tia Alba, pesava pelo menos duas vezes e meia o seu peso. não vem ao caso.
o que vem ao caso é o direito dos cidadãos e dos pagantes de impostos de terem uma cidade bem cuidada. as calçadas de Copacabana são conhecidas no mundo inteiro. são cartão postal. e são bem conservadas, sem buracos. cadeiras de roda podem tranqüilamente passear pelo trottoir de Copacabana, ou de Ipanema. em São Paulo, muitas das calçadas são revestidas com as pedrinhas portuguesas. Em Lisboa e muitas outras cidades portuguesas, em Paris, até mesmo em Berlin elas existem, sem que ninguém tropece, sem que cadeiras de rodas não possam transitar.

triste ver a Bahia se definhando e perdendo sua memória. não são só os casarões do comércio, as belezas da penísula itapagipana, os sobrados no pé da ladeira da montanha, a própria ladeira da montanha, lapinha e tantos outros exemplos, sem nem começar com a grande orla de Salvador. um horror estético!

sim Edu, lhe dou toda razão no seu desabafo e nos seus gritos, porém não concordo com sua posição. mesmo nos meus anos de Bahia e raiva e de ódio pela ignorância de tantos, mesmo tendo optado pelo “exílio”, eu ainda amo muito muito a minha cidade. e dói pra caralho vê-la se acabando. perdendo sua memória, perdendo suas belezas. perdendo-se numa zona abissal desprovida de memória, de folclore inventado, se afogando na própria ignorancia e esquecendo o próprio passado.

mudanças fazem parte da vida. é um processo inevitável. absurdo é ver um povo se distanciando de sua própria história. praticamente destruindo sua própria história. é inaceitável.

infelizmente eu não tenho tendências para ser Don Quixote, nem vou querer ser o herói desta guerra perdida. continuarei a observar com imensa tristeza a Bahia se perdendo, se transformando numa pseudo-afro-disneylandia ao som dos tambores, do pagode, da cachaça e do crack asfixiada pelo plástico dos abadás, e do merchandising das cervejinhas.


triste Bahia, ó quão dessemelhante!

8.11.2008

votem!!!

recebi um e-mai hoje de uma amiga de brasília, me pedindo para votar contra a tirada das pedras portuguesas da calçada do porto da barra. este foi o primeiro choque. o segundo foi logo depois de ter votado online, vi o resultado parcial no momento, quase avassalador, a maioria que votou diz querer que as pedrinhas sumam da paisagem e que ao invés delas coloquem placas de granito.

este ano ainda, quando estive por ai, torci o pé na rua, descendo a princesa Isabel. fiquei tres dias de pé engessado, porque ao descer a ladeira a pé, enfiei o meu pé direito num dos muitos buracos que assolam as calçadas de pedrinhas portuguesas. quem foi o culpado? a pedra? esta com ceretza não.

culpado, se este nome pudesse bastar para classificar a falta de vergonha que reina na cidade da Bahia. políticos vão, novos vêm, muitos se repetem. uma coisa em comum todos têm: falta de vergonha, desleixo para com a cidade e principalmente para com os cidadãos.

2003 estive na Bahia, e a cidade era mais limpa do que Berlin, muitos na época diziam ser obra e glória do tal do Imbassahy. este ano se falava muito em política, afinal em novembro tem eleição. diziam com ACM morto, Imbassahy não teria mais dinheiro nem como fazer pela cidade; João Henrique como prefeito é tão bom como quando nos tempos do Sophia Costa Pinto: em estando ele em corpo presente ou não, não fazia a menor diferença. 2007/2008: a cidade estava uma vergonha! já falei dos meus horrores aqui no blog em relação aos descuidos e desleixos em que se encontram a cidade.

e agora ainda mais esta! putaquepariu!


eu já votei contra! e vocês? vão deixar o porto com ar de lápide de cemitério??? o plástico já tomou conta dos bares, das barracas, da cidade. nada mais do lindo artesanato de banquinhos e mesas de festa de largo, feitos e pintados a mão. plástico. vamos botar granito na calçada do porto, aproveita manda botar esta merda até lá no aeroporto, onde tiver calçada, pedra portuguesa longe!!! é assim? então vamo aproveitar e mandar tirar a areia das praias e mandar cimentar? quer mais???


clicando no título vocês podem entrar direto na votação no ministério público. obrigado!


fui.

P.S.: o meu blog entra em recesso a partir de hoje, vou fazer manutenção, coisa que nem a prefeitura nem o governo estadual fazem!!!

8.09.2008

rapidinha, de novo

adoro abertura de olimpíada! a de ontem foi um luxo só.
Lula estava lá. todo cheio de dentes, de sorrisos e de botox.
só que teve gafe, a delegação do Brasil foi bem na frente, Lula seria o primeiro dos muitos presidentes a saudar a sua delegção. e o homem não levantou da cadeira!
o Itamaraty não tem ninguém lá não é? pra ensinar essas coisas pra ele?
seu Bush, só levantou pros Estados Unidos, ele também não sabia ser o presidente de Puerto Rico e de algumas outras ilhotas do pacífico.

os dois Jecas!

fui…

8.08.2008

bandeira branca

depois de muito rodar pelas páginas de assistência do Google, sucumbi, vi que o único jeito que tinha era mesmo entrar num grupo de chat, onde as pessoas compartilham e resolvem os problemas internáuticos uns dos outros. não suporto este tipo de coisa, mas era a única forma de descobrir como resolver o problema das atualizações do blog. quando entrava nos blogs que me haviam linkado, via que o meu link estava lá completamente desatualizado.

entrei no grupo de auto-apoio, e logo começou a miséria, cada vez que entrava para abrir os meus e-mails, vinham cacetadas, quinhentos mil e-mails das mais variadas e distintas pessoas, com tantos outros problemas, mas não o mesmo que o meu.

hoje abrindo os meus e-mails, dei uma olhadinha com calma nos problemas dos outros. dois e-mails me chamaram muito a atenção, nos dois casos eram pessoas alegando ter sido vítimas de calúnia. nos blogs da google, alí em cima na moldura tem um botão onde você pode denunciar conteúdo impróprio. entrei de cara no blog de um, para testemunhar com os meus próprios olhos. não fosse pela foto de um gato (o animal de quatro patas) pendurado numa corda exibindo um par de testículos monstruosos, não ví nada demais que pudesse chegar perto de um conteúdo impróprio, impróprio pra mim talvez, porque ao folhear o blog me entediei infinitamente.
a outra vítima, um rapaz que praticamente foi banido do orkut (a comunidade de ‘amigos’ do google) porque tinha uma foto dele quando criança, desnecessário dizer que entrei no orkut, a página não existe mais. era uma foto dele nu quando criança??? alguém o denunciou como pedófilo.

eu adoro internet, desde que existe para leigos e amadores, desde antes mesmo de possuir computador próprio, já era viciado. mas como tudo na vida tem seus dois lados… o lado positivo do internet? a resposta é obsoleta. o lado negativo? longo, comprido e extenso, vou pegar um deles. assistindo televisão outro dia, vi uma reportagem sobre uma nova forma da brutalidade do internet. tratava-se do sítio “rotten neighbor” ao pé da letra: vizinho pôdre! o negócio é muito simples, os membros do sítio, sob o manto da anonimidade (covardia), podem denunciar o seu vizinho. o refinamento é que a pessoa posta uma estória sobre o tal do vizinho, com foto dele, endereço e com o auxílio da tecnologia de googlemaps. você digita o endereço tal, aí aparece o mapa do google, com bandeirinhas verdes, amarelas e vermelhas – verde não ví nenhuma! clica na bandeirinha e aí vem nome, etc. e tal, você abre e não só pode ler sobre a vida intima do vizinho, como que praticamente pode ver a casa dele, vista de cima mas bem aproximadamente. e em breve você pode ver a casa desta pessoa pelo ângulo do pedestre!

o pior da estória é que na maioria dos casos se trata de calúnia e difamação. como a reportagem era alemã, é claro que eles focaram a matéria em casos aqui acontecidos. a Alemanha infelizmente ainda sofre muito de uma doença social quase que crônica, os sintomas, difamação, calúnia, denunciação, intriga. na matéria, eles falavam que na Europa, a Alemanha estava em primeiro lugar no número de bandeirinhas no sítio.

abestalhado fiquei e estou até agora. o que fazer contra isso? não sei! sei sim é que quando terminou a matéria, me levantei no ato, liguei o compu e entrei no tali do sítio, digitei o meu endereço e para o meu grande alívio, toda a minha a rua, todo o meu bairro e a grande maioria da cidade estava limpa de bandeiras, nem verdes, nem amarelas e muito menos vermelhas. bandeira branca amor, eu quero paz!

já dizia o grande Guimarães Rosa: “viver é muito perigoso”.

fui.

8.07.2008

CSD


já passou mais de mês. mesmo assim toda a minha odisséia tentando achar o cabo, que na verdade não era o cabo, mas uma porrinha assim pequenina, espécie de antena, que sabe lá deus porque batizaram de dente azul.
depois de baixadas ví, que nem mesmo são espetaculares as fotos. falo da parada gay, foi no final de junho, comentei aqui, prometi fotos. mas tem esta pequena sequência de filme. nada de especial.
Berlin, Kreuzberg. Oranien esquina com a Adalbertstraße. verão de 2008. Christoph Street Day. Transgenialer CSD.

8.06.2008

finalmente, o cabo


depois de muito ter rodado como peru em véspera de natal, descobri que não precisava de um cabo, sim de um dente azul. computador virou mágica. hoje depois de passadas as ressacas, físicas, morais, psicológicas, mau humor e de ter mais ou menos posto o sono no ritmo normal, meu telefone resolver quebrar… hoje era dia então de resolver pequenas coisinhas do lar. tenho pavor de coisas que não funcionam. achei o telefone novo, achei o tali do dente azul, do bluetooth, da mágica de enviar as fotos do celular pro compu sem cabo nenhum. até 90 cm pode estar o celular afastado da anteninha! mágica! eu me lembro de quando começaram com os celulares que enviavam fotos e listas de telefones via raio infra-vermelho e eu ficava posicionando o celular bem direitinho em frente ao local de recepção. e já é passado!
esperando loucamente por mil novas mágicas.

até…

8.05.2008

rituais, mais rituais

não vou mentir, nem vou negar. hoje foi-se a ressaca física, veio talvez a moral. em forma de péssimo humor, nunca tive problemas de dizê-lo ou de assumi-lo.
o final de semana foi longocompridoeextenso, cheio de excessos. afinal de contas ninguém é de ferro. uma e duas.
fato:
desculpem, mas ainda não estou em condições de estar por aqui lépido e fagueiro. talvez a foto da moça aí em baixo, relate um pouco o meu estado de alma, o físico como já disse, passou. minha alma vomita a cântaros, portanto vou poupar os visitantes e voltar aos meus rituais de limpeza.
desta vez de dentro pra fora.

de manhã cêdo em jejum: água fervente, muitos copos!!!

almoço e janta: sopa de miso com tofu, pra dar um gostinho, umas gotinhas de molho de soja.

amanhã é outro dia!

fui

8.02.2008

médicos

médicos! tenho uma relação meio difícil com eles. era mais ou menos como no tempo em que possuia carro, ele inguiçava e tinha de levá-lo pro mecânico. na maioria das vezes não entendia chongas, mas se o cara explicasse de uma forma tal que parecesse me fazer entender, já funcionava. efeito placebo!

meu olho direito é problemático. já fui até operado. tinha em Stuttgart uma excelente oftalmologista, que descobriu o meu problema e me operou. quando saí de Stuttgart, ela fez questão de escrever uma carta para os caros colegas que eventualmente viessem a me tratar, explicando tim-tim por tim-tim.

depois da reforma que o atual governo fez no sistema de saúde alemão, muita coisa se perdeu. o Neoliberalismo espera de todos: trabalhe mais e ganhe menos. quem era rico ficou mais rico, quem não era só fez empobrecer. médicos com consultório próprio falindo, ou seja quem pode arruma seus panos de bunda e vai trabalhar em outros lugares onde salário de médico ainda é decente: Escandinávia, Inglaterra.
mas ao que interessa, aqui em Berlin, minha cartinha da minha doutora não fez lá grande sucesso. até ontem ainda não havia encontrado um bom oculista, peregrinei por muitos. há quatro semanas atrás, depois de ter conseguido uma consulta (tarefa árdua depois da reforma, para especialistas em média se espera dois a tres meses por uma consulta) fiquei chocado e deprimido: o doutor me jogou assim na minha cara que eu tinha Glaucoma! isso também no olho direito. fiquei doido. comecei meus telefonemas. uma coisa eu aprendi aqui, nunca coma o peixe o que o médico lhe vendeu, sempre procure uma outra opinião. eu fui. depois de muito telefonar, um amigo me aconselhou a “Charitè”, o Hospital de Clínicas da Universidade, segundo eles, também possuidor de olhos complicados, os melhores da cidade.
pra meu espanto consegui uma consulta em tempo recorde, duas semanas. fui lá ontem, a espera nem foi assim tão longa, mas mesmo que fosse valeu a pena. examinaram tudinho tudinho, só faltaram tirar os olhos das órbitas para olhar o fundo da chaparia. três horas de consulta. e o melhor médicos (sim fui atendido por dois de uma vez só, a Glória de qualquer hipocôndrico) que falam com sujeito, verbo e predicado pra qualquer leigo entender. e daqueles que não lhe tratam nem como debilóides, nem pobres coitados ou no pior dos casos como lixo humano. não, simplesmente lhe tratam como um paciente e como são da universidade, lhe tratam como matéria-prima, um objeto de estudo! por que tantos mudam depois que têm o diploma emoldurado e pendurado na parede do consultório???
resumindo ao que interessa: eu NÃO tenho glaucoma!!! o problema com a minha retina está mais do que sobre controle e eu não vou perder a visão do olho direito. mesmo com as pupilas do tamanho de azeitonas e aquele mal-estar horroroso que dá quando você sai na rua e a claridade vem, e depois horas a fio sem poder fazer nada! só deitar e espera que que a sensação passe. mas imensamente, profundamente aliviado. parecia que eu tinha ganhado um par de olhos novos!

pensei em voltar alí naquele oculista que me disse depois de uma consultinha fajuta de 10 minutos sem nem dilatar minha pupila, aquele que me falou que eu tinha glaucoma, pensei em voltar lá e dar uma rasteira nele e de xingar ele de todos os nomes que eu pudesse, em todos os idiomas que conheço. depois pensei melhor e disse cá com meus botões, ah ele que vá se fuder, não vou perder meu precioso tempo com ele. o que interessa são as boas novas e o meu alívio!!!

fui.





8.01.2008

pipia pipia

as pupilas ainda do tamanho de azeitonas iberia.
dia da consulta anual. sempre detestei, desde o meu
primeiro par de óculos.
dia inteiro na clinica da universidade. saí aliviadp!
depois eu conto.
fui