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10.11.2008

a crise

será que alguém podia me explicar o que é que está acontecendo no mundo? até uma semana atrás parecia que a crise financeira mundial só atingia os estados unidos e alguns poucos bancos europeus. na quinta feira a Islândia praticamente faliu e ontem as pedras do dominó ganhavam mais velocidade e saiam derrubando tudo o que encontravam pela frente. e eu ainda sem ter entrado nos jornais brasileiros para ler sobre as consequências da crise no Brasil, pensava ainda na frase arrogante do arrogante presidente Lula da Silva semana passada num dos jornais mais importantes da Alemanha, quando indagado sobre a crise financeira, sr. Lula mandou que o repórter fosse perguntar era para Bush, ele, Lula e o Brasil não conheciam nenhuma crise, muito pelo contrário.
ontem fui fazer os depósitos que faço toda semana para meu pai. com espanto descobri que a senha foi bloqueada. imediatamente liguei para o Brasil, foi quando soube que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica estão em “greve”. entrei nos jornais brasileiros na internet. incrível exatmente uma semana depois de ter lido os arrotos do presidente brasileiro, vi que o couro está comendo solto e que a bovespa fechou em minus de mais de 10% esta semana. e óbviamente tudo o que se passa no Brasil é vendido com muito mais drama do que tragédia grega.
eu não sou economista, nem nunca fui lá muito amigo de matemática. mas uma coisa fica relutando de ser entendida na minha cabeça, dinheiro se se perde alguém há de achar, ou seja, aonde é que vai parar todo este dinheiro perdido? buraco negro? universo paralelo? e essa corja de gananciosos de bolsas de valores e outras misérias que fazem negócios dubiosos com o dinheiro alheio? a bomba explodiu e ninguém mais sabe como resgatar os feridos? e os próprios profissionais das bolsas mundiais continuam a pressionar os governos espalhando pânico e fazendo com que o mercado feche sempre em baixa. é realmente uma vergonha mundial.

fui.

10.10.2008

saúde de computador

Gordon Petty é o nome do meu computador. pois originalmente o dono se chama assim. nunca o conheci pessoalmente. mas o computador ficou com o nome dele, afinal está ainda registrado no nome dele. meu primeiro computador se chamava ‘Hilfegard’ uma tradução bem livre do nome Maria d’Ajuda. Hilfegard era muito cheia de calundus e andava caindo mais do que bebâdo em final de carnaval. em 2006/2007 levei Hilfegaard comigo. como não encontrei na Bahia em três longos meses nenhuma loja que vendesse um adaptador de tomadas. Hilfegard teve longas e merecidas férias. no dia volta a tragédia fatal, no aeroporto o funcionário da Condor tomou a minha bagagem de mão de tal forma e me obrigou a despachá-la, que na hora do aperto nem pensei muito e despachei minha malinha de bordo, daquelas que você vai arrastando e tem rodinhas. este energúmeno matou, assassinou Hilfegard, pois no despacho despachou também a alma dela e todos os documentos, fotos e cartas que ela possuia dentro de sí. neste tempo eu já possuia Gordon, eu então de volta, procurei o médico especialista de Hilfegard, afinal com suas doenças quase crônicas, eu já tinha um doutor especializado em Windows que me atendia quase que mensalmente. ele por fim deu o veredito, morta! e nenhuma possibilidade de ressureição.
Gordon anda dando broncas horrorosas, apesar de ser da família Apple, o que vem a ser uma diferença monstruosa em comparação com os infindáveis calundus da Microsoft. Gordon deu para desmaiar durante as sessões, mas só que não faz quando estou presente, só faz quando vou alí na cozinha pegar mais um café. não sei o que fazer se ele falecer. fiquei horrorisado hoje quando depois de pegar meu terceiro café, voltei à sala e encontrei o pobre desamiado e gemendo. só tinha um jeito a dar, desligar a tomada e esperar a febre baixar. o que fiz, fui no suopermercado e comprei uma montanha de cedês para não acontecer o mesmo que aconteceu com a alma de Hilfegard. passei praticamente o dia inteiro gravando a alma dele em cedês, depois mandei a porra toda para o lixo e deletei tudinho. Gordon praticamente teve uma dieta rigorosíssima e está elegantésimo, maaaagro e cheio de espaço para mais uns e mais zeros.
e assim espero que sua saúde se recupere e que os ataques de desmaio fiquei lá. no passado.
boa noite. fui.

10.09.2008

bilhete longo comprido e extenso para Maria Sampaio












Maria,

quando recebi seu e-mail, já era hoje de manhã. fiquei espantado, afinal já se passaram vinte anos e ainda assim parece que foi ontem.
eu só tenho algumas poucas coisas a dizer sobre a bienal. além do fato de ter sido praticamente durante os preparos da bienal a decisão de abandonar o país e ir tentar a vida fora, fora da Bahia e do Brasil, tenho bem em minha memória os meses maravilhosos em que trabalhamos juntos. sem querer agora rasgar sêda e sem nem ter de lembrar estórias de amizade e/ou parentesco, eu sei que eu fui muitíssimo bem tratado, tanto profissionalmente como pessoalmente. a experiência de ter trabalhado junto ao seu time e de Célia Aguiar, junto a Edivalma Santana (sem esquecer dos meninos do laboratório também!) foi extremamente gratificante. e mesmo pensando bem em 88 estávamos práticamente nos conhecendo mesmo. nossa aproximação foi em 83, você acidentada, eu lhe visitando na Barra. mas o convívio e o conhecimento foram incríveis durante o tempo da bienal. nem me lembro direito a duração exata dos preparos, enfim o tempo de fato em que trabalhamos juntos, sei só que passou, para o meu gosto, depressa demais. e tenho absoluta certeza de que durante todo este tempo, nunca houveram sequer ameaças de atritos, sem a menor dúvida pudemos conciliar profissão, trabalho, amizade (até mesmo parentesco) sem perder o tom em nenhum momento.


antes de começar a escrever este bilhete para vossa mercê, fui procurar o meu único exemplar do cartaz (claro que ainda tenho a minha camiseta e ainda a uso muito), pena que não pude escaneá-lo todo. e me lembro de que tudo isso foi feito em tempos em que não possuíamos nem computadores nem internet nem tantas outras facilidades digitais. fizemos tudo na mão grande mesmo, né? até mesmo a medição do solar d’unhão, foi feita na unha mesmo. passei tardes maravilhosas lá, pra mim era feito um sonho que se tornara realidade, pois resgatava fantasias de minha infância, passando de carro pela contorno, do caminho de areia para a casa de minha avó, e olhando para o solar e com uma vontade enorme de entrar, com vontade de morar alí. até mesmo isso você me proporcionou, pois por algumas semanas, eu quase que morei alí mesmo, e nas últimas nós todos juntos.

nem vou agora desfiar meus rosários para lembrar da importância da bienal, das inovações, das ousadias, do trabalho duro e muito prazeiroso, enfim tanta coisa importante a ser resgatada. fico apenas com a minha lembrança muito pessoal da bienal, da minha grande felicidade de ter podido fazer parte deste maravilhoso time.quando eu me lembro da festa se acabando, nós alí sentados debaixo da mangueira do solar, as gambiarras ainda acesas, me dá uma saudade grande, mas sem melancolia, o prazer do trabalho realizado, um gosto indescritível na alma.

trabalhar contigo? a qualquer hora.

viva a bienal. com ceretza um marco na minha estória pessoal. tenho muito de lhe agradecer por esta experiência, com certeza uma entre muitas que você me proporcionou, mas para a minha moral profissional foi um marco que só deixou além das muitas e boas lembranças, uma definição muito nova para mim de respeito entre profissionais, amigos e/ou parentes.


beijos grandes,

m

10.08.2008

Salomé e Iokanaan ou a cabeça de Osama pela de Obama

primeiro queria fazer propaganda para um filme documentário que já assiasti duas vezes, e assistiria algumas outras mais, porque notei ontem a noite o quanto de detalhes novos e de espanto e horror ele ainda me traz. o título em inglês é ‘taxi to the dark side’. e explora os abusos do governo de George W. Bush, com os prisioneiros de Guantanamo e Abu-Greihb. se vocês se interessam pelo assunto e tiverem a oportunidade de assistí-lo. digo de antemão, ele é fantástico.
ontem a noite ele passou de novo num dos canais de documentário. e eu fiquei impressionado com o quanto o filme ainda me surpreendeu, o quanto as verdades sobre os métodos de tortura ainda me chocaram, sem contar do quanto que senti vergonha e ráiva de George W e sua trupe de imbecís. na verdade se formos comparar, o que o seu governo está fazendo com os ‘possíveis’ terroristas que na sua maioria são mulçumanos, já aconteceu aqui na europa, aqui neste país onde eu vivo há quase um século atrás, só que no caso foram seis milhões de mortos, na sua grande maioria, judeus. George W ainda conseguiu alcançar o seu antecessor na maquinaria de morte, tortura e terror. mas certamente não fica atrás, na retorica, nos métodos e no cinismo.
ontem de madrugada também foi o debate dos candidatos à presidência dos estados unidos. na verdade quem ganha a maioria dos votos é quem sabe lidar com a economia americana. George W consegui até mesmo acabar com o capitalismo. e o que se vê hoje em dia é estupefação e uma manada de profissionais gananciosos com uma enorme interrogação tatuada na testa. Obama tem mais chances do McCain. mesmo assim ainda pau a pau.
fiquei pensando ontem a noite durante o filme, e se George W ainda conseguir apresentar a cabecinha de Osama antes do dia 4 de novembro???
alguém já se perguntou, como o 'melhor' (?!?), o mais bem equipado exército do mundo, que ainda conta com o apoio da CIA e do FBI, como é que esta nação tão poderosa ainda não consegui achar Osama?
a nação, Salomé, pede a Herodes (Bush & republicans) a cabeça de Iokanaan (Osama) e o messias Obama pode embrulhar sua trouxa e voltar a ser senador. os americanos estão no chão, sua imagem derrotada no mundo, o dollar caindo em zona abissal e sem para-quedas e agora os muros da Wall Street se esmiuçando. Iokanaan bin Laden seria o perfeito troféu.
será que até dia 4 de novembro eles apresentam o homem? e se for assim e assim for eu juro que vou jogar na lotto. e ganhar.

fui.

PS: clicando no título vocês podem assistir a um trailler do filme que falei acima (em inglês)

10.07.2008

103

103 postagens. nem sabia que saía tanta palavra de dentro de mim.
estou uma caca, cansado e doido pra que o dia tivesse umas horinhas a mais pra dar conta em tudo que eu tenho de dar.
mas hoje ni qui eu isprimi, só saiu isso. 103.
fui.

10.06.2008

besa-me mucho








Berlin em alguns aspectos se parece muito com a Bahia, creiam! muita gente vem parar por aqui e se vira pra ganhar dinheiro. assim como na Bahia, haviam os ‘turistas’ (geralmente punks nômades) que sobreviviam o verão limpando vidro de carro ou fazendo o mesmo malabarismo que os pivetes em toda e qualquer sinaleira na Bahia faziam. por incrível que pareça os pivetes roubaram a idéia do malabarismo mesmo de alguns mochileiros. aqui não temos pivetes, temos os Romenos. desde que a Romênia entrou para o clube não tão mais exclusivo da comunidade européia, que os romenos tomam conta da paisagem.

nas últimas semanas tenho ajudado um amigo na sua cafeteria numa escola, também para levantar um pouco as minhas finanças. tenho de ir de metrô, pois a escola fica literalmente do outro lado da cidade. o-d-e-i-o andar de metrô em Berlin. principalmente no inverno, mas vamos lá isso não vem ao caso agora.
o fato é que bastou fechar as portas do metrô, tem alguém pedindo dinheiro, ou no caso cantando, dançando e pedindo dinheiro. nisto também os berlinenses são um pouco bahianos, não estrearam de nascença como os últimos, mas tentam deseperadamente ser uma estrêla a todo e a qualquer custo. juro que já ví muita coisa engraçada nestes seis anos. mas agora os romenos tomaram conta da paisagem.
semana passada começava o meu tormento, mas pelo menos tinha minha própria música comigo. mesmo assim a outra a dos romenos, conseguiu ultrapassar os decibéis dos meus fones. um casal. ele tocava sanfona e arrastava consigo uma construção muito doida de um ex-trolle de bagagem e neste amarrado de cordões e arames um tocador de cedês; ela cantava. ‘besa-me mucho’. quem já ouviu alguém falando romeno sabe, é a lingua mais parecida com português! só que o espanhol dela era uma miséria, sem nem comentar os dons musicais. aumentei o volume do iPod e ignorei.
hoje, atrasado, decidi, deixar música em casa e me dedicar à leitura do meu livro. na ida, virou mexeu eram eles. não! eram outros, desta vez o homem tocava violão e ela tinha uma voz de baixo-profundo. o repertório, o mesmo: ‘besa-me mucho’, a qualidade musical e lingüistica bem aquém. cinco horas depois, eu pronto, jornal na mão, vou pegar a porra do metrô pra voltar pra casa, eu encravado na minha leitura. três estações depois, abrem-se as portas e entram os dois, desta vez os mesmo de de manhã. e tome-lhe: ‘besa-me mucho’. apobre coitada ao sair do metrô pegava na garganta como se estivesse doendo, adinal ela passou pelo menos cinco horas cantando 'besa-me mucho'!!!! confesso que fiquei com dó dela. amanhã não posso deixar de sair de casa sem o meu iPod!
pra encurtar a conversa: os romenos botaram os punks pra correr. hoje em dia nas sinaleiras só dão eles.
fui.








10.05.2008

dia de domingo

domingo. meu dia preferido de não sair de casa. porque domingo como bem sabemos é o dia que a maioria da humanidade tem o dia livre. um dia livre para mim seria um dia sem aborrecimentos. portanto nada melhor do que não sair de casa para não se aborrecer. sempre fui do contra, não é agora depois de velho que vou decepcionar velhos amigos e parentes. pois, hoje, domingo, e do lado de fora de casa chove aos cântaros e fazem 9 graus. penso eu com meus botões, hoje quem vai sair sou eu. vou dar uma volta de bicicleta. e fui. até quase o final da cidade, ou pelo menos parecia-se muito com o fim do mundo. dei uma volta e tanto, a chuva a cair e a rua vaziiiiiia de gente. e eu feliz cantarolando. depois de tanta chuva e tanto frio, decidi ir para o studio onde eu faço esporte, lá tem uma sauna enorme com tres tipos diferentes de sauna e um terraço imenso para pegar um pouco do ar’fresco’ e cheio de smog de Berlin.
lá vou eu com meu livro e meu jornal, roupão, sandália havaiana e duas toalhas. confesso, adoro sauna, e principalmente agora começando o inverno é bom para fortalecer o sistema imunológico. enfim, chegando lá tudimpaz, o salão de esportes às moscas, com o inverno vem também a preguiça. mas niquieu entrei na sauna, parecia que estavam distribuindo alguma coisa de graça. a carranca logo tomou lugar do inicialmente era a minha cara. procurei um lugarzinho bem afastado de tudo e de todos. mas não é que vieram dois alemães a se sentar bem do meu lado? e eles só no perequetê perequetê e falavam mais do que a nega do leite. a carranca crescendo de tamanho.
pra encurtar a estória, na primeira oportunidade que tive, peguei meus panos de bunda e fui me sentar perto do terraço assim que vagou um lugar alí. eu sei que consegui me concentrar na minha leitura, ninguém mais sentou do meu lado e eu fiquei felicíssimo. relaxei, me esquentei do frio e pude ler com paz e com calma meu jornal de domingo e dois capítulos do livro.
bom domingo!
fui.

10.04.2008

graffiti de novo




















graffiti virou arte. arte de rua. hoje é até supervalorizado e tem até quem compre.
Berlin é entupido deles. eles ganharam até outras dimensões, colagens, as máscaras negativas muitas vezes são aperfeiçoadíssimas.




















p.s.: notem que até em Berlin as pedrinhas portuguesas estão presentes, mesmo sem desenhos, mas são elas sim!





10.03.2008

graffiti

há poucos dias minha grande amiga Adelina (minha sempre querida e amada Dedé) me escreveu um e-mail lindo, relembrando uma frase do Mancha, que era amigo do Faustino, que segundo ela ou segundo as pichações, usava calça topeca, mas a frase é a questão do dia…
o pior não é perder ela, mas o sentimento por ela

Dedé me falou que todas as vezes em que ela sente saudade ela se lembra desta frase e assim amansa a sua saudade.

com certeza, Dedézinha, como sempre em toda a nossa estória & história você como forte virginiana tem razão.

fui.

10.01.2008

george W


photoshop art by miro paternostro





eles têm o mesmo nome de batismo.
o primeiro foi o quem proclamou a independência dos estados unidos da américa do norte, um dos criadores da constituição americana e o primeiro presidente da nação.
o outro entra para a história como o pior de todos os presidentes da mesma nação. e parece que ele está colocando a cereja no bolo. George W. está acabando com a única e verdadeira religião que esta nação realmente acredita: o capitalismo.
e o pior de tudo, por pura e absoluta incompetência. porque se ele tivesse competência, entraria para a história como o primeiro presidente anarquista de toda a história moderna. pena! porém tenho me divertido muito!

fui.