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10.06.2008

besa-me mucho








Berlin em alguns aspectos se parece muito com a Bahia, creiam! muita gente vem parar por aqui e se vira pra ganhar dinheiro. assim como na Bahia, haviam os ‘turistas’ (geralmente punks nômades) que sobreviviam o verão limpando vidro de carro ou fazendo o mesmo malabarismo que os pivetes em toda e qualquer sinaleira na Bahia faziam. por incrível que pareça os pivetes roubaram a idéia do malabarismo mesmo de alguns mochileiros. aqui não temos pivetes, temos os Romenos. desde que a Romênia entrou para o clube não tão mais exclusivo da comunidade européia, que os romenos tomam conta da paisagem.

nas últimas semanas tenho ajudado um amigo na sua cafeteria numa escola, também para levantar um pouco as minhas finanças. tenho de ir de metrô, pois a escola fica literalmente do outro lado da cidade. o-d-e-i-o andar de metrô em Berlin. principalmente no inverno, mas vamos lá isso não vem ao caso agora.
o fato é que bastou fechar as portas do metrô, tem alguém pedindo dinheiro, ou no caso cantando, dançando e pedindo dinheiro. nisto também os berlinenses são um pouco bahianos, não estrearam de nascença como os últimos, mas tentam deseperadamente ser uma estrêla a todo e a qualquer custo. juro que já ví muita coisa engraçada nestes seis anos. mas agora os romenos tomaram conta da paisagem.
semana passada começava o meu tormento, mas pelo menos tinha minha própria música comigo. mesmo assim a outra a dos romenos, conseguiu ultrapassar os decibéis dos meus fones. um casal. ele tocava sanfona e arrastava consigo uma construção muito doida de um ex-trolle de bagagem e neste amarrado de cordões e arames um tocador de cedês; ela cantava. ‘besa-me mucho’. quem já ouviu alguém falando romeno sabe, é a lingua mais parecida com português! só que o espanhol dela era uma miséria, sem nem comentar os dons musicais. aumentei o volume do iPod e ignorei.
hoje, atrasado, decidi, deixar música em casa e me dedicar à leitura do meu livro. na ida, virou mexeu eram eles. não! eram outros, desta vez o homem tocava violão e ela tinha uma voz de baixo-profundo. o repertório, o mesmo: ‘besa-me mucho’, a qualidade musical e lingüistica bem aquém. cinco horas depois, eu pronto, jornal na mão, vou pegar a porra do metrô pra voltar pra casa, eu encravado na minha leitura. três estações depois, abrem-se as portas e entram os dois, desta vez os mesmo de de manhã. e tome-lhe: ‘besa-me mucho’. apobre coitada ao sair do metrô pegava na garganta como se estivesse doendo, adinal ela passou pelo menos cinco horas cantando 'besa-me mucho'!!!! confesso que fiquei com dó dela. amanhã não posso deixar de sair de casa sem o meu iPod!
pra encurtar a conversa: os romenos botaram os punks pra correr. hoje em dia nas sinaleiras só dão eles.
fui.








Um comentário:

Janaina Amado disse...

Miro, me diverti muito com este seu texto.
Besame mucho!