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1.12.2009

sem título


há quem possa me questionar o que é que que você tem de comentar ou ficar pensando nesta guerra, lá no fim do mundo?
como já contei aqui em inúmeras outras vezes, dez anos atrás fui eu trabalhar em Israel. foram quatro meses initerruptos. quatro meses em que vivi e convivi uma realidade muito particular. impossível poder explicar este pedacinho de terra que é mais deserto do que qualquer outra coisa.
com a minha cara mestiça de bahiano, passei por muitos lugares deste mundo, quase que desapercebido, gregos, turcos, italianos (de Roma para baixo), até mesmo franceses (em se pensando em mistura fina de algeriano, marrocano, ou até mesmo marselhês) pensavam-me um patrício.
minha experiência, tanto em Israel, como que na Palestina, foi também muito assim, hebreus falavam comigo em hebreu, palestinos em árabe, alguns até nem queriam acreditar quando eu negava e dizia ser brasileiro.
e sempre muito bem recebido e muito bem tratado. nunca tive do que me queixar (além dos motoristas de taxi com quem sempre tive brigas homéricas e uma visita malassombrada a Jerusalém, cidade que realmente detestei).
já naqueles dias de 1999, onde a paz ainda reinava, eu ficava a me perguntar, se posso assim passar por este e por aquele lado e sempre ser tratado como um de casa, porque não multiplicar esta experiência para todos os outros, aqueles que realmente estão em casa?
a faixa de Gaza, é um pedacinho de terra minúsculo e miserável. miséria e pobreza lá se escrevem com todas as letras maiúsculas. de volta do mar morto, passei por Belém, e me perdi na estrada entrando em Hebron. nada do que ví no mundo se compara a Gaza e a cidade de Hebron. eu me lembro agora que depois disso chegamos a Jerusalém mortos de cansaço e desolados com aquilo que vimos. qualquer favela brasileira é um paraíso urbano comparado a Hebron e a Gaza-City.
fomos jantar em Jerusalém antes de pegar a estrada de volta para Tel-Aviv, era o final do Shabbat e neste mesmo dia estavam finalizando o festival internacional de cinema em Jerusalém, nós sentados já em nossa mesa, esperando a comida, quando de repente se ouvem barulhos como explosões. os nativos começam a correr, se esconder em baixo das mesas, quando de repente se via no céu que eram os fogos de artificio finalizando o festival de cinema. inenarrável experiência.
mais uma vez fiquei muito pensativo. impossível entender um dia-a-dia assim.
dez anos depois. o que interessa agora é ver que estas pessoas que já vivem numa miséria inenarrável, estão acurraladas num pedacinho de terra minúsculo, sem água, sem eletricidade, sem medicamentos, sem a mínima infra-estrutura. estão sendo bombardeados, estão sendo praticamente dizimados, sem nenhuma chance nem de fugir, a única fronteira no sul com o Egito está fechada. crianças, mulheres e pais de família estão morrendo, os hospitais superlotados e o pior de tudo: o mundo está vendo isso ao vivo e a cores e ninguém pode fazer nada.

eu repito as palavras do atual ministro da defesa e ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak, que disse alguns muitos anos atrás antes mesmo de ser eleito primeiro-ministro:

"se eu fosse palestino, eu seria um terrorista" (!!!!)


fui

1.05.2009

2009

queria escrever, ainda gripado, em meio a nariz escorrendo, catarros, espirros e noite passada o termômetro me dizendo que lá fora fizeram 16 abaixo de zero. tendencia abaixar mais ainda... nevou, a cidade toda branquinha. o sol saiu do esconderijo. parece até que o mundo está em ordem.
2009 começou com a porra toda. já logo depois do natal, Israel bombardeando Gaza, ex-ministro da defesa comparando a situação com a imagem de um elefante e uma mosca. Israel, elefante, Gaza, a mosca. não tenho vontade de pensar mais nesta imagem. pensei que não iriam invadir Gaza, fizeram. soldados, helicópeteros, carro blindado, armas, bombas e o sangue a correr. entre mortos e feridos, todos saem perdendo, não importa de que lado do muro estejam.
chega! 
no dia de são Sebastião, Barak Obama tomará posse. não queria por nada estar na pele dele.

rompi o ano, quebrei o silêncio, limpei o nariz.

fui

12.05.2008

lingüiça eu misturo com banana


Tel-Aviv me deu logo a impressão de estar em casa. no caso no Brasil.
calor. caos. muito barulho. cheiros, odores, fedores. 
um dos lugares que mais gostei e onde muito fothrafei foi o Carmel Market, no centro da cidade. quando estou na Bahia, tenho sempre de ir dar as minhas voltas na feira de São Joaquim, já fazia isso desde quando ainda morava por lá. muito antes mesmo de virar chique ou moda, ou até ponto cultural.
não sei o que é que me fascina em feiras. gosto de passar horas só mesmo passeando. no Carmel Market, tive muito a impressão de ser catapultado, muitas vezes pelo ambiente, outras muitas apenas pelo jeito de um corpo. é batata, mas quando se vive em clima quente a postura corporal é bem outra. enfim, achei mais esta foto, também feita no Carmel Market, centro de Tel-Aviv, que esteticamente falando mais parece uma versão enorme do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, com praia! parece demais!

hoje, enchendo lingüiça a 3X4, comendo chiclete e mascando banana.

fui