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12.29.2008

preparativos para o revêion.1

hoje tive de tomar uma overdose de chá de calma (sempre mui bem recomendada e abusada em toda e qualquer viagem à Bahia) e fui comprar roupa de cama na IKEA. empombei de querer entrar o ano novo pelo menos com roupa de cama nova, mesmo sabendo de ser uma experiência kamikasi, mas como já disse três ou quatro xícaras de chá de calma para enfrentar este mundo de gente na IKEA aproveitando a liquidação.
lá fui eu para uma das três IKEAS daqui de Berlin, resolvi ir na mais próxima de minha casa. dois trens de ida, dois de volta, parece muito mas é como se diz lá na Bahia, só dois transportes. chá de calma, iPod e um par de fones de ouvido em tamanho GGG para visualmente advertir: NEM PENSE EM BULIR COMIGO! tudo isso aliado e conjugado às preces para São Guido, o protetor dos invisíveis e tome-lhe lá pensando a oração... SÃO GUIDO CEGÁI, SÃO GUIDO CEGÁI. e dá jeito mesmo. não me aborreceram, não me aborreci, eu realmente me sentia invisível, transparente, nada tropeções, pancadas, e uma coisa que muito me persegue, aquela coisa de você estar andando na rua e vem uma pessoa diretamente em sua direção e então o impasse, aí começa o ballet dos indecisos, uma verdadeira valsa urbana, mui querida principalmente quando você vem carregado que nem burro de lavagem do bonfim... ninguém merece, eu muito menos.
fui, voltei, são & salvo, sem aborrecimentos nem hematomas, sem calos nos dedos do pé e sem dor de cabeça. a roupa de cama nova já na máquina de lavar e eu a respirar fundo tranqüilicalmo na paz do meu lar.


fui 

10.28.2008

a cereja e o bolo

em uma semana, a estas horas já deveremos saber quem é o novo presidente dos estados unidos da américa. ao que parece tudo ficou ainda um pouco mais excitante do ja era. de leve: alguns republicanos já frustrados com o seu candidato, cobram de volta o dinheiro que deram para a campanha; uma candidata à vice-presideência com a inteligência de um tamanduá (os tamnduás que me perdoem pela comparação) e custos de imagem (roupa, maquiagem, etc.) para ela e sua família de mais de 150 mil dólares; uma estudante americana, branca, 20 anos com uma calúnia racista para abalar a capanha de Barack Obama, os gritos de “KILL HIM” durante os discurso de Sarah Palin atacando o seu adversário e para colocar o bolo na cereja (não, eu não me confundi, queria dizer era assim mesmo) os dois neonazistas que planejavam um massacre monumental nos confins do Tenessee. uau! tive até de tomar fôlego e mesmo assim estes foram alguns poucos dos muitos high-lights dos últimos dias. semana passada participei de um blog no new york times, só que minha postagem foi censurada. ainda ontem deu nas televisões alemães sobre o caso dos neonazistas, mas o estranho da estória foi ver que nos canais mais “sérios” quase que ignoraram a notícia. hoje fui ver nos jornais on-line: new york times, los angeles times ignoraram a notícia assim como o JB. BBC, CNN e o spiegel publicaram matéria e até as fotografias dos tais skin-heads, a folha online, dá uma pequena chamada na primeira página bem como quem não quer nada. e agora a pouco antes de publicar a postagem, procurando por fotos dos neonazis, uma matéria de última hora a desrever o diletantismo do planejamento do atendado, ou seja, muito barulho a troco de nada (?). incrível, quase absurdo, quase surreal ver o que está acontecendo no mundo no momento. de repente de uma hora para outra, tudo parece aos avessos. crise financeira, crise industrial, um país que se considera um império despencando como numa avalanche, a noção de capitalismo e os frutos da ganância neoliberal sem pé nem cabeça. muitos perdendo a crença naquilo em que acreditavam, a própria crença dentro da verdade absurda do mundo das bolsa de valores perdendo completamente a lógica e políticos de todas as colorações tentando tapar os buracos de sua retórica já falida. um prefeito na Bahia que asfalta os coqueiros, manda fazer do calçadão do porto uma lápide de cemitério e é re-eleito; e por fim um político com todo um lobby de messias a dividir uma nação e o resto do mundo, que ainda tem mêdo da cor. sua cor, de fato isso é o que mais importa em toda esta eleição. e este fato irá decidir a eleição. simples como a cereja em cima do bolo. a única diferença eu já adiantei no primeiro parágrafo, desta vez botaram o bolo em cima da cereja. fui

8.25.2008

de cá. de lá. de longe.


coisas de lá e coisas de cá.
eu em cima do muro, a resolver de cá coisas de lá.
fusos horários não são nada em comparação aos fusos socio-culturais.
lá, telefone de banco deve ser de enfeite. ninguém atende, a não ser Terezinha a telefonista central do banco do brasil.
uma gracinha, estamos íntimos. ela já tão engajada nos meus dramas e problemas com os funcionários do bb em relação a telefones que só tocam, nunca são tocados. até o fax. este também toca. toca. mas nunca dá o sinal do fax. coisas de lá.
coisas de cá. jamais chamaria Frau Schmidt pelo seu nome de batismo. e Frau Schmidt estaria cagando e andando se eu estivesse do outro lado do atlântico e a senha do meu cartão tivesse sido bloqueada. mas certamente quando Frau Schmidt teria passado a minha ligação adiante e alguém com certeza atenderia o maldito telefone.
dias se passaram. quinta, sexta. enfim obrigado pelas forças inabaláveis do final de semana, desisti e capitulei. além do que, aí é que ninguém atende mesmo. nem lá, nem cá! chegou a segunda e eu e Terezinha a nos dar Bom-Dia. Terezinha arrasada com os seus colegas. eu com vontade de morder o próprio cotovêlo.
interessante é ver que tudo e isto em qualquer lugar do mundo, sempre tem um lado surrealista. lá, a intimidade que tomamos, no meu caso que é tomada, pois intimidade nunca dou. a coisa vai ficando tão pessoal até um ponto, em que pessoas mesmo não se conhecendo pessoalmente, por simpatia ou por sei lá o que, começam a se compactuar. no caso Terezinha comigo.
cá é tudo impessoal. e se vira pessoal, geralmente toma rumo da antipatia. e só.
lá, apesar das transações via internet, serem bem mais seguras que aqui, com senhas e mais senhas, perguntas e respostas, CEP, CPF, RG e o caralho a quatro, quando tudo isso falta e é hora de entrar na ação pessoal, a voz de uma pessoa tem um outro efeito e afeta de uma forma ou de outra a simpatia e/ou antipatia de uma outra. mas quase sempre se dá um jeitinho. ou tem algum conhecido, ou parente…
cá, necasdepitibiribas. nê-a-ná-dê-a-dá! todos somos iguais, ninguém merece o mínimo de simpatia, ou de bem-estar. por outro lado, para existir só preciso de um único documento, com ele existo, provo minha existência, minha moradia, posso votar, viajar, tudo. nada de pastas cheias de papéis, de N-cópias de firmas a serem reconhecidas, filas em banco para pagar uma taxa, mais uma fila no cartório e isso e mais aquilo.
impossível fazer comparações. engraçado é poder perceber as diferenças.
se alguém me perguntasse onde é melhor? não posso responder.
aliás, eu acho que posso, melhor é numa ilha deserta, com um negão chamado sexta-feira, pra resolver suas coisas. uma ilha bem longe. de cá e de lá.
neste interrégno resolvi minhas pendências com o banco. peguei minha gerente no celular.

fui. quanto a Terezinha, aquele abraço! de longe.

8.23.2008

1979


a data na margem da foto diz abril de 1979. deve ser. a foto deve ter sido feita por Beto (Carlos Alberto Paes Andrade, eu acho que o nome completo era assim, me corrija se estou errado). devem ter sido dias de páscoa, fomos pra fazenda dele no recôncavo. eu não posso ver cavalo, que tenho de subir e dizer que sei cavalgar. até hoje nunca caí de nenhum deles, mesmo tendo uma vez o cavalo tomado um susto, eu perdido as rédeas e ele se despencando pela estrada de barro de Arataca no sul da Bahia, uma outra fazenda, outras histórias, outros cavalos.
detalhe é eu ter me dado o trabalho de me vestir com a parnafernália toda do vaqueiro. sempre fã de Lampião, Maria Bonita, do cangaço. um dia ainda faço aquilo de que tenho tanta vontade e passo uns seis meses viajando pelo sertão.
por agora ficam só as lembranças deste abril em 1979.