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12.28.2008

gripe na hora certa

passei uma semana de cama. a gripe veio e veio com todas, ainda estou um pouco abalado, tosse, catarro e todo o resto a que tenho direito. mas hoje já consegui sair da cama, o sol estava brilhando, o rio se congelando e meu nariz se descongestionando. 
pensei, que maravilha, gripe no natal. já que detesto esta atrorcidade (natal), pensei a gripe este ano veio na hora certa. nem preciso ficar driblando convites que não quero aceitar. estou de cama. pronto. ninguém haverá de me encher o saco.

como fui criança criada em frente da televisão, pensei, natal, vou ver um monte de filme besta, até chorar um pouco... pérolas como 'imitação da vida', bom de chorar de se acabar... mas que nada! a televisão destes dias é bem outra. nunca pensei em dizer isto alto, mas que falta que a tv pretibranco me faz, naqueles meus dias da aurora da minha vida, com apenas dois programas itapuã e aratu! tive a sorte de poder assistir muitos bons filmes na sessão da tarde, nos tempos em que não se dublava os filmes enlatados com os deles e os delas da tv globo. Bette Davis era dublada por Ida Gomes. Filme com a maravilhosa Carmen Miranda passavam pelo menos uma vez por semana. 

quase que tive um ataque de pelancas, a programação natalina das tevês alemãs uma verdadeira desgraça enfiada numa vara. pelo menos tinham os documentários e eu ainda tinha meus dvds de 'six feet under' (simplesmente a melhor coisa que aconteceu na história da televisão) não sei se passou aí no Brasil, e se passou deve ter passado em canal pago e espero que sem os deles e os delas da tv globo. o que mata qualquer coisa que se veja na televisão, pior que isso só na Polônia ou na Rússia, onde só tem um único ator(???!!!) dublando todos os personagens sem a menor intenção e ainda dá para você escutar o som original um pouco mais baixo rolando no fundo.

a única coisa boa na televisão alemã é saber que: se você perdeu hoje este ou aquele filme, não se desespere, no mais tardar no prazo de uma semana, você pega o repeteco. as vezes até mesmo na própria noite. incrível o que a falta de dinheiro não faz. as tevês todas falindo aqui depois da chegada do internet. 

cansei da gripe, cansei da cama, o nariz ainda escorre, a voz duas oitavas ainda mais baixas, o frio a carcumer lá fora e aqui dentro de casa. 

tenho de me preparar psicologicamente para o outro grave dilema: a porra do revellion. que misera! são joão em Berlin. aqui graças às leis incompreensíveis desta sociedade protestante, só se pode vender fogos de artifício entre o dia 29 e o dia 31 de dezembro. pelo menos isso. amanhã eu vou as compras: oropax, valium e qualquer coisa para encher o bucho antes e depois do valium. pra mim isso não é revellion, é guerra civil.

bom saber que a minha gripe já está se despedindo, e agora vou terminar de lavar os pratos e voltar para a minha fase de hibernação. 

ademã, que eu vou em frente!


fui

10.18.2008

um sambinha em holandês

sou de uma geração em que a televisão ainda tinha um pouco mais de nível do que a atual. era um luxo ver na sessão da tarde filmes com Carmen Miranda, maravilhosos clássicos do cinema dos anos 40, 50 e 60. à noite assisti a muitos filmes com Bette Davis, no tempo em que ainda se dublava filmes com atores de verdade. a voz de Bette Davis era dublada pela voz da maravilhosa Ida Gomes. nada destas vozes sem nenhuma intenção e um insuportável sotaque carioca. nada destes filmes enlatados a devastar as tardes e as noites na frente da telinha.
na questão jornalismo também era uma outra estória, bem melhor do que este sensacionalismo barato da tv globo e as outras emissoras que só fazem copiar o que a globo faz.
no meu tempo, tinha Ibrahim Sued numa coluna semanal no ‘fantástico`, por exemplo. Abelardo Barbosa e seu super-ego, o grande Chacrinha, um personagem inimitável na história da televisão brasileira, seus programas eram absurdamente surrealistas. e suas tiradas, as chacrettes, os shows de calouro, os inúmeros bacalhaus jogados no público, tudo isso foi impagável, inigualável. Leda Nagle no jornal hoje. Dercy Gonçalves, os filmes de chanchada, Grande Otelo, Ziembinsky, Scarlet Moon de Chevalier, a grande Aracy de Almeida, só para citar alguns nomes da BOA televisão brasileira.
mas o o meu grande grandissímo favorito era Paulo Francis. sempre que podia também lia a sua coluna na folha de são paulo ou no jb e assistia com prazer quando ele fazia algum comentário no jornal da noite. eu babava com sua afiadíssima língua e compartilhava com ele na opinião de que teria sido muito melhor se os holandeses não tivessem sido banidos do Brasil.
hoje em dia, depois de quase vinte anos vivendo na Europa e conhecendo bem a Holanda, agradeço, ao que antes nos tempos de partilha de idéias com PF, eu interpretava como uma enorme burrice histórica e de brasileiros, em botar os holandeses para correr. não só porque, mesmo com todas as minhas antipatias com Portugal e o meu ateísmo, mas prefiro muito mais ter uma história católica com suas cerimônias teatrais do que o masoquismo protestante e prefiro muito mais poder falar o idioma português do que o holandês. acho que se tivéssemos sido colonizados pelos holandeses, nada seria da música popular brasileira, jamais teria funcionado em holandês. já pensou, samba em holandês?
mesmo estando longe, tenho uma enorme paixão pela nossa língua. é o que me mantem agarrado às minhas origens e à minha pátria. a língua portuguesa com todos nuances e melodias e sotaques que se desenvolveram no Brasil, na mistura com os índios e os negros, é ímpar.
portanto, devo dizer que depois de todos estes anos tenho de descordar da raiva que dividia com Paulo Francis pelo bota-fora dos holandeses.

enfim, viva a língua brasileira! o que deveria ser levado a sério, pois a nossa língua do Brasil, tem apenas a mesma origem daquela falada em Portugal, pois português português, pelo menos para mim, é uma outra língua!

e lanço aqui um outro apelo, brasileiras e brasileiros, lutem por uma televisão com um mínimo de nível. o que ví por ai, é muito lixo, de manhã, de tarde e de noite. é um direito seu, ser bem informado e poder ver BOAS produções, bons filmes e principalmente um bom jornalismo televisivo.
no máximo pra quem gosta de um bom absurdo, fume um baseado e assista a novela ‘os mutantes’. mas sem baseado não dá não!

ademã que eu vou em frente!

fui

9.05.2008

algumas coisas desnecessárias.1


algumas muitas coisas que ninguém precisa. uma delas ‘celebridade’. a Alemanha é menor do que o estado da Bahia. portanto tem muito menos gente que no Brasil inteiro. mas celebridades aqui brotam do nada como erva-daninha e o pior, viram celebridade e eu ainda nem sei porque, isto numa quantidade absurda. uma verdadeira explosão demográfica de celebridades.
acho mesmo que a culpa disso tudo foi a invenção do ‘big brother’ não o do Orwell, mas aquele da televisão, invenção de uma empresa holandesa que se expandiu pelo mundo todo como uma gripe forte e ruim de se curar dela, ‘de Moll’, uma verdadeira fábrica de misérias televisivas.
aqui na Alemanha, esta coisa voyeurista se aperfeicionou tanto que a televisão se transformou literalmente numa janela, uma janela para a casa dos outros. os tais ‘promis’ como as celebridades são chamadas aqui (vem da palavra prominent, em alemão: celebridade) fazem de um tudo para aprecer na tv, aliás tem até os tais promis que só são promis, ou seja vivem de ser promis, sem ter de cantar, de representar ou de escrever um livro ou até mesmo fazer política ou achar a cura contra o câncer ou a aids, enfim fazer alguma coisa que
realmente servisse para a humanidade. bastou aparecer no big brother, ou nos inúmeros shows de ‘casting’ a nossa antiga e boa ‘audição’, que fulano, cicrano e/ou beltrano já viraram ‘promis’.
daí a desgraça-enfiada-numa-vara: de segunda a segunda na tv, é um tal de promi cozinhando, de promi comprando, alugando casa, passando férias, sobrevivendo na floresta amazônica, brigas conjugais, até ultra-som da barriga de uma ‘promi’ e o acompanhamento da gravidez até o parto já teve. eu me pergunto duas coisas sempre: quem é??? e por que??? estou esperando o dia de ver um promi cagando na televisão.
por falar nisso, a alguns anos atrás quando eu tinha um projeto chamado ‘anus*mundi’ em latim: o cú do mundo, que fiz umas camisetas onde como um vazado atrás de nomes de pessoas ‘importantes’ aparecia a frase ‘every body shits’, todo mundo caga. preciso explicar?

enfim, como aqui na Alemanha você tem de pagar ao governo se você possui uma televisão e uma antena ou cabo. eu me recuso terminantemente a pagar este maldito e obsoleto imposto. além do que é caríssimo. se não fosse pelos noticiários e pelos bons documentários que tem por aqui, que eu já teria dado cabo na minha caixinha digital e na minha antena. continuarei a driblar os ‘promis’ e a execrar a merda produzida por eles e usar minha tv para assistir a dvds.

assim sendo. fui.