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10.18.2008

um sambinha em holandês

sou de uma geração em que a televisão ainda tinha um pouco mais de nível do que a atual. era um luxo ver na sessão da tarde filmes com Carmen Miranda, maravilhosos clássicos do cinema dos anos 40, 50 e 60. à noite assisti a muitos filmes com Bette Davis, no tempo em que ainda se dublava filmes com atores de verdade. a voz de Bette Davis era dublada pela voz da maravilhosa Ida Gomes. nada destas vozes sem nenhuma intenção e um insuportável sotaque carioca. nada destes filmes enlatados a devastar as tardes e as noites na frente da telinha.
na questão jornalismo também era uma outra estória, bem melhor do que este sensacionalismo barato da tv globo e as outras emissoras que só fazem copiar o que a globo faz.
no meu tempo, tinha Ibrahim Sued numa coluna semanal no ‘fantástico`, por exemplo. Abelardo Barbosa e seu super-ego, o grande Chacrinha, um personagem inimitável na história da televisão brasileira, seus programas eram absurdamente surrealistas. e suas tiradas, as chacrettes, os shows de calouro, os inúmeros bacalhaus jogados no público, tudo isso foi impagável, inigualável. Leda Nagle no jornal hoje. Dercy Gonçalves, os filmes de chanchada, Grande Otelo, Ziembinsky, Scarlet Moon de Chevalier, a grande Aracy de Almeida, só para citar alguns nomes da BOA televisão brasileira.
mas o o meu grande grandissímo favorito era Paulo Francis. sempre que podia também lia a sua coluna na folha de são paulo ou no jb e assistia com prazer quando ele fazia algum comentário no jornal da noite. eu babava com sua afiadíssima língua e compartilhava com ele na opinião de que teria sido muito melhor se os holandeses não tivessem sido banidos do Brasil.
hoje em dia, depois de quase vinte anos vivendo na Europa e conhecendo bem a Holanda, agradeço, ao que antes nos tempos de partilha de idéias com PF, eu interpretava como uma enorme burrice histórica e de brasileiros, em botar os holandeses para correr. não só porque, mesmo com todas as minhas antipatias com Portugal e o meu ateísmo, mas prefiro muito mais ter uma história católica com suas cerimônias teatrais do que o masoquismo protestante e prefiro muito mais poder falar o idioma português do que o holandês. acho que se tivéssemos sido colonizados pelos holandeses, nada seria da música popular brasileira, jamais teria funcionado em holandês. já pensou, samba em holandês?
mesmo estando longe, tenho uma enorme paixão pela nossa língua. é o que me mantem agarrado às minhas origens e à minha pátria. a língua portuguesa com todos nuances e melodias e sotaques que se desenvolveram no Brasil, na mistura com os índios e os negros, é ímpar.
portanto, devo dizer que depois de todos estes anos tenho de descordar da raiva que dividia com Paulo Francis pelo bota-fora dos holandeses.

enfim, viva a língua brasileira! o que deveria ser levado a sério, pois a nossa língua do Brasil, tem apenas a mesma origem daquela falada em Portugal, pois português português, pelo menos para mim, é uma outra língua!

e lanço aqui um outro apelo, brasileiras e brasileiros, lutem por uma televisão com um mínimo de nível. o que ví por ai, é muito lixo, de manhã, de tarde e de noite. é um direito seu, ser bem informado e poder ver BOAS produções, bons filmes e principalmente um bom jornalismo televisivo.
no máximo pra quem gosta de um bom absurdo, fume um baseado e assista a novela ‘os mutantes’. mas sem baseado não dá não!

ademã que eu vou em frente!

fui

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