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7.10.2008

1984, ou o calundú virtual











ontem assisti a um documentário sobre Google. de meter mêdo, ver como o mundo virtual toma conta das nossas vidas e nós nem nos damos conta disso. tudo guardado, selecionado,
gravado em uns e zeros. gostos, palavras, músicas, endereços, hora, dia, mês e ano. tudo em digitos. o que quer que eu clique será arquivado e vale ouro. quer eu queira quer não. a realidade já muito além da ficção de George Orwell. Big Brother tem um nome engraçado, logotipo colorido quase infantil e nos tem presos em suas garras virtuais. de meter ainda mais mêdo, os projetos da ‘google health’ em querer arquivar dados médicos de quem quiser tomar parte desta loucura. códigos genéticos de grátis em troca de exibir sua radiografia genética. GATTACCA? também este era título de ficção científica. orkutianos dão de bandeja todos os seus dados, preferências, fotos, paladares. fotos se arquiva no mundo virtual do picasa, se assisto qualquer coisa no youtube, sei que meus dados serão processados por uma outra empresa virtual, esta à procura de videos piratas e pela defesa dos direitos autorais. tenho de me conciêntizar que cada vez que estou online em fronte ao meu computador não estou só, mas preso no emaranhado das redes virtuais. será mesmo isso o que eu quero? ter minha vida e meus dados sendo vistos, manipulados, vendidos em troca da mágica do internet? estranho tudo isso se ainda penso nos dias em que só conhecia tv preto e branco, e programa de rádio AM e o meio mais rápido de mandar uma mensagem era telefone ou telegrama, ambos na época caríssimos. mas quando ainda podia ter certeza da distancia real que existia entre a minha pessoa e o mundo. ai que saudade do meu radinho de pilha, dos filmes que passavam anos pra chegar em cartaz e décadas se repetindo nos cinemas. tudo se pode. todos podem. e o mundo corre depressa demais. o que fazer? dizer simplesmente foda-se e vamo em frente que atrás vem gente? eu nem sei, acho que me deu foi um calundú virtual. fui!

7.09.2008

batendo blog




taí! hoje ao ler primeiramente o blog do primo Bernardo, primeiro me emocionei muito, ao ver sua felicidade de ter ido ao lançamento, da felicidade de Maria com a ‘surpresa’, ao ver que valeu a pena ter colocado a postagem falando do lançamento de ‘Rosália Roseiral’ (o novo romance de Maria Guimarães Sampaio), por outro lado: muito por ter me sentido como que representado pela presença de Bernardo lá. uma outra coisa importante, foi que as dúvidas e as incertezas do blog, do exibicionismo, as quais eu comentei na segunda-feira, a partir daí mais do que sumiram, desapareceram.
pra falar a verdade, eu quase que não conheço Bernardo, ou pelo menos há muito muito tempo que não o vejo, conheço melhor suas irmãs, a quem adoro e de quem sei ser adorado em retorno. nosso eixo: as duas tão citadas Marias. e sei que, desde que estamos os quatro batendo-bola de blog (ou será batendo-blog?), que eu tenho a impressão de conhecê-lo de há muitos carnavais.


obrigado Bernardo, por ter ido, por ter me representado. senti-me mesmo como que se estivesse ido. e senti-me muitíssimo bem representado!

e meio que citando Maria, a que escreve, obrigado aos Paternostro terem se encontrado com os Gomes de Oliveira, afinal somos primos duas vezes.


falei com Maria pelo telefone, fiquei felicíssimo com sua alegria, que me contagiou ainda mais. que bonito Maria: seus 60, seu lançamento… que ano retado de bom!


chega de rasgar tanta sêda!


fui!


7.08.2008

revolta

fiquei chocado, meu boteco preferido aqui em Berlin, que conheço desde a inauguração, resolveu ceder à lei anti-tabagista.

decepção. indignação. revolta. sim revolta, vou boicotar!
como é que todos os bares aqui em meu bairro boicotam e mantêem-se firmes na decisão de não aceitar a lei e aquele não?
ai meu deus, que saudade dos tempos em que éramos ignorantes e não sabíamos da existência do ‘fumante passivo’ e de tantas outras coisas (abaixo dr bactéria!) com as quais sempre co-existimos e pelo que eu me lembro, nós vivíamos era muito muitíssimo bem!

quero ter o poder de escolher quero ir alí, e não quero ir acolá. sem que governo nenhum venha me pegar pelas mãos e dizer, você tem que ir por alí.

governo devia estar aí era para proibir: pobreza, ignorância, violência e fome.



fui.

7.07.2008

nota importante

se eu fosse uma pessoa rica, mais rica mesmo, assim de verdade, já teria há muito fretado um jatinho. não deu…
se estivesse aí na Bahia, sendo pobre ou sendo rico, iria. mesmo que chovesse canivete. de carro, de buzu, ou de carona. até na paleta, iria.

eu sei que tenho uma desculpa e nem vou classificá-la, se boa ou não. justa, sim. dez mil quilometros me separam da livraria saraiva.

Maria, pra você eu nem preciso mais dizer o quanto eu queria estar aí com você, amanhã, sendo o primeiro a chegar e certamente um dos últimos a sair.




a todos:










exibicionismo


sim, faltei ontem! domingo pé de cachimbo. e o sábado, desnecessário dizer, longo, comprido e extenso. pleno de excessos.
até mesmo que pensei, em meio a nebulosidade que tomava conta da minha cabeça, me levantar, ligar o compu, escrever uma ou duas frases, bater o ponto.
detesto fazer qualquer coisa que seja por obrigação. ainda mais de ressaca. e mesmo sem querer, comecei a pensar por que escrever um blog. pra que?
no meu caso, que sempre gostei muito muitíssimo de minha privacidade. afinal, filho de minha mãe, que adorava mistérios, segredos e principalmente discrição quando se tratava de sua vida particular. de uma hora pra outra escrevendo um diário pra qualquer pessoa poder ler? de fato, minha vida um livro aberto? e eu não estou ecrevendo em aramaico? daí vão as perguntas se transformando, se multiplicando como anjos e demônios de desenho animado. ad infinituum.

confesso não ser fácil comentar minhas dúvidas, minhas inseguranças e os meus mêdos do exibicionismo virtual. mas foi uma escolha. a vida como ela é.
uma montanha russa.

fiquei encantado quando ví que um outro primo, também está escrevendo um blog. entrei na semana passada e já fiquei freguês. muito bom seu blog, sua escrita concisa, leve, e o invejável fato dele conseguir com poucas palavras chegar ao ponto da questão, dar sua opinião e finalizar o tema com enorme precisão. parabéns Bernardo!

então tá, já vim e já fui.

ademã que eu vou em frente.



7.05.2008

música.2

há muito tempo que não moro mais num país tropical, abençoado por deus. decidi por um outro hemisfério, outro continente, um outro país bem diferente daquele e nada tropical, onde as coisas e a vida acontecem de uma forma diferente. e que se sabe que se dorme e se acorda e a direita continua na direita e a esquerda também no lugar dela.

moro num bairro com uma má fama. quando decidi me mudar para neukölln, no ano passado, eu ainda era um dos poucos alienígenas neste bairro proletário e com fama de anrquista, e depois invdido pela comunidade árabe. de um ano pra cá são hippies, freaks, artistas, boêmios e gente de toda a coloridade mudando a paisagem do lugar.

no ‘prédio’ onde moro tudo e todos se misturam. são dois blocos unidos pot um pequeno jardim interno. se alguém peida no apartamento defronte você é capaz de ouvir.
ouço muito música. muito música brasileira. meus vizinhos têm outros gostos musicais. mas nos respeitamos e toleramos a música dos outros, mesmo se muitas vezes não gostando. o importante: não tem briga nem confusão.

um vizinho meu do andar de cima, ouve sempre no cair da tarde, livros falados, geralmente em inglês. quando eu chego em casa e ouço que ele está ouvindo os livros dele. nem coloco música minha. ouço de pesca, os ruidos de uma voz morna e de repente também este ruído, juntos aos gritos das crianças árabes, um cachorro aqui, um gato acolá, passarinhos e pombos, muitos pombos. uma verdadeira sinfonia de verão.


fui.

7.04.2008

música.1



chove lá fora. nem trovejou. chove. refrescou. até mesmo esfriou.
eu cortei, passei, juntei, costurei. as cortinas estão prontas, pra minha, pra felicidade de quem encomendou. e talvez até, principalmente para a alegria e felicidade dos meus vizinhos. que tiveram de suportar o som da minha máquina de costura, junto à trilha sonora que não pára. não sei fazer nada – a não ser ler- sem música. se não ouço, devo estar de mau humor. se não, ouço com muito gosto.

mas é de noite. noite funda. quando tudo parece parar. e a música já não sái das caixas. quando então o silêncio toma conta de tudo: música.





7.03.2008

pra fora













o dia foi lindo. o calor inenarrável. fui pra piscina pública. estava lotada. o dia caiu. agora promessas de trovoadas e raios. bom pra amenar o calor.
em casa trabalhando. costurando umas cortinas. costurando de encomenda. Maysa nas alturas. a máquina fazendo tcheco-tcheco-tcheco e os sons se embolando e eu cantando junto e tudo ecoando no calor lá fora. nunca gostei muito de costurar. aprendi no dia a dia e no trabalho. acho um luxo quem bem sabe costurar, cortar. quem tem a paciência (o que muito me falta) e o dom deste fino ofício. amanhã, termino as cortinas. agora chega, que o dia foi longo. e o calor sêco ainda se faz sentir. agora chega que amanhã ainda é outro dia. fui.

7.02.2008

dois de julho


se minha mãe ainda fosse viva, não sei como é que ela faria para me convencer a acompanhá-la ás paradas. ela adorava uma parada. eu as abominava. sete de setembro, dois de julho. eu ia, mas só porque naqueles dias, opinião de menino não valia nada. campo grande, centenário, antônio balbino. parada de abertura das olimpíadas da primavera. enfim. sem nem comentar o fato dessa loucura de paradas ter acontecido bem no tempo da ditadura. mais loucura? se fosse pelo desejo de minha mãe, eu teria seguido ou a carreira militar ou eclesiástica. sempre fui bom aluno, mas fiz de tudo para perder no teste de inscrição da escola da polícia militar dos dendezeiros: mêdo! tinha mêdo de milico. acho até que ainda tenho. quanto a carreira mística, já nas aulas de catecismo e nas tarefas de coroinha na igreja do jardim brasil, ví que mesmo com toda a dramaturgia, cenário, figurino e pompa, aquele teatro não era o meu.
bizarro tudo isso. bizarro também ter chegado na bahia, depois do aeroporto ter sido rebatizado para luiz eduardo magalhães. ouvindo o co-piloto anunciando em língua estrangeira. welcome to the airport deputado louisch eduarrdo de magalaes. depois da morte de acm, eles deixaram pra lá, agora se chega é no aeroporto internacional de salvador. co-pilotos gringos já não mais precisam quebrar a língua. sou do tempo do dois de julho. inenarrável com seu túnel de bambús. este pelo menos ficou e continua inenarrável. no início dos anos 70 foi uma verdadeira embaixada familiar levar minha avó Italinha ao aeroporto, ela ia visitar as irmãs no rio de janeiro. naquela época a gente podia chegar até a beirinha do avião. tapava os ouvidos com as mãos. e o inesquecível impregnante cheiro de querosene de avião. do dois de julho também se voava para Belmonte, de teco-teco da atlanta. felicidade maior de menino era poder voar do lado do piloto. na frente.
dois de julho. era pra mim o dia do caboclo. e da cabocla. sempre tive fascinação pelos indíos. quando era menino ficava louco quando tinha nas mãos uma revista manchette em que tinha reportagem de índio. queria ser índio. de pé no chão. sem mêdo de bicho nem de chuva. sem mêdo da nudez, por eles jamais castigada. castigados sim eles mesmos, os nossos índios. 500 anos de colonização. de morte por gripe, varíola, syphilis e tantas outras doenças venéreas. ou simplesmente pelo fogo das armas. até hoje. hoje índio não é mais aquele da revista manchette dos tempos da ditadura, nem dos desenhos dos colonizadores. índio tem adidas. sandália havaiana e até quichute. índio tem outras necessidades de que aparecer em reportagem com irmãos villas-boas. além e aquém das transições e evoluções do índio nos anos 80, em ritmo de ‘abertura’ com gravador na mão. deputado federal (?). parece até que muita coisa mudou, evoluiu. e de fato nada mudou. mudaram os rótulos, mudaram as caras no planalto central. e até Lula mudou (de lado, de ideologia, de cara).
índio continua índio (?). procurando manter uma identidade, ou melhor procurando mesmo é desesperadamente achar a própria identidade.
uma misteriosa tribo aparece no meio da floresta, com lanças nas mãos apontando para as câmeras de televisão. dizem até as más línguas que tudo isso seria um golpe dos lobbyistas. e índio tem lobby? deixa o índio em paz. deixa o índio ser índio e ter terra e paz pra ser índio. sem adidas nem sony, sem bala.
de que adianta carregar nas costas os andores com o caboclo e com a cabocla, pelas ruas da cidade da Bahia. imagem de índio em bonze no coração da cidade simbolizando a independência local?


se minha mãe fosse viva, certamente estaria chocada com as escolhas que eu fiz na vida. certamente nem tão chocada, como quando, se ela tivesse me dado a chance de optar naqueles dias, e tivesse simplesmente me perguntado: meu filho, o que é que você quer ser quando crescer?







índio.

7.01.2008

passagem

rápidinho, só de passagem, tentando registrar um blog numa lista de blogs. quase impossível. nem sou daqueles experts em computador. muito me fascina, muito me assusta. com dor nas costas, pneu da bicicleta furado. vou consertar.
ainda sem o cabo, para colocar as fotos do CSD aqui no blog. muito calor, o calor é sêco. nada daquela humidade da bahia.
fico hoje por aqui.

além do que trabalhar hoje sem cês cedilhas e sem tils é pior do que correr picula... tem momentos que é impossível escrever sem elas. fui.