
Maria,
quando recebi seu e-mail, já era hoje de manhã. fiquei espantado, afinal já se passaram vinte anos e ainda assim parece que foi ontem.
eu só tenho algumas poucas coisas a dizer sobre a bienal. além do fato de ter sido praticamente durante os preparos da bienal a decisão de abandonar o país e ir tentar a vida fora, fora da Bahia e do Brasil, tenho bem em minha memória os meses maravilhosos em que trabalhamos juntos. sem querer agora rasgar sêda e sem nem ter de lembrar estórias de amizade e/ou parentesco, eu sei que eu fui muitíssimo bem tratado, tanto profissionalmente como pessoalmente. a experiência de ter trabalhado junto ao seu time e de Célia Aguiar, junto a Edivalma Santana (sem esquecer dos meninos do laboratório também!) foi extremamente gratificante. e mesmo pensando bem em 88 estávamos práticamente nos conhecendo mesmo. nossa aproximação foi em 83, você acidentada, eu lhe visitando na Barra. mas o convívio e o conhecimento foram incríveis durante o tempo da bienal. nem me lembro direito a duração exata dos preparos, enfim o tempo de fato em que trabalhamos juntos, sei só que passou, para o meu gosto, depressa demais. e tenho absoluta certeza de que durante todo este tempo, nunca houveram sequer ameaças de atritos, sem a menor dúvida pudemos conciliar profissão, trabalho, amizade (até mesmo parentesco) sem perder o tom em nenhum momento.
antes de começar a escrever este bilhete para vossa mercê, fui procurar o meu único exemplar do cartaz (claro que ainda tenho a minha camiseta e ainda a uso muito), pena que não pude escaneá-lo todo. e me lembro de que tudo isso foi feito em tempos em que não possuíamos nem computadores nem internet nem tantas outras facilidades digitais. fizemos tudo na mão grande mesmo, né? até mesmo a medição do solar d’unhão, foi feita na unha mesmo. passei tardes maravilhosas lá, pra mim era feito um sonho que se tornara realidade, pois resgatava fantasias de minha infância, passando de carro pela contorno, do caminho de areia para a casa de minha avó, e olhando para o solar e com uma vontade enorme de entrar, com vontade de morar alí. até mesmo isso você me proporcionou, pois por algumas semanas, eu quase que morei alí mesmo, e nas últimas nós todos juntos.
nem vou agora desfiar meus rosários para lembrar da importância da bienal, das inovações, das ousadias, do trabalho duro e muito prazeiroso, enfim tanta coisa importante a ser resgatada. fico apenas com a minha lembrança muito pessoal da bienal, da minha grande felicidade de ter podido fazer parte deste maravilhoso time.quando eu me lembro da festa se acabando, nós alí sentados debaixo da mangueira do solar, as gambiarras ainda acesas, me dá uma saudade grande, mas sem melancolia, o prazer do trabalho realizado, um gosto indescritível na alma.
trabalhar contigo? a qualquer hora.
viva a bienal. com ceretza um marco na minha estória pessoal. tenho muito de lhe agradecer por esta experiência, com certeza uma entre muitas que você me proporcionou, mas para a minha moral profissional foi um marco que só deixou além das muitas e boas lembranças, uma definição muito nova para mim de respeito entre profissionais, amigos e/ou parentes.
beijos grandes,
m

2 comentários:
Meu querido filhote, também para mim dá gosto lembrar da Bienal. Da nossa convivência. O trabalho e o brinquedo. Como era o jogo, das verduras? Ia escrever sobre nosso trabalho hoje, comecei por vinte antes. A Bienal ficaria para depois. Já nem precisa.
hoje tem letra como que ai debaixo - nem consegui copiar direito, vieram outras
Que texto mais terno, Miro! Não entendi muita coisa, mas achei muito legais as suas lembranças com Maria.
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