fui
11.16.2008
estórias de aeroporto.1
Lisboa. verão do ano 2000? eu sentado no sagüão a esperar o meu vôo para Paris e de lá de volta para Viena. fui a Lisboa com as milhagens que tinha da Air France. fui a Portugal ser padrinho de casamento. tudo como marinheiro de primeira viagem, Portugal, Lisboa, padrinho, milhagens. sentado no sagüão Fernando Pessoa, digo, Álvaro de Campos na mão. lágrimas a correr e a procurar o consolo nas palavras do poeta. as mesmas lágrimas a embaçar o consolo. eu que sempre fui só, nunca me sentira assim. tão só. testa cortada, souvenir lisboeta, mas a dor era em outro lugar. no peito. talvez na alma. não tinham só me assaltado. levado o relógio. levaram -por um breve momento de dias, talvez semanas- a coragem e a liberdade que sempre tive de caminhar por todas as ruas do mundo sem medo. também esta, a experiência do assalto, do sangue escorrendo, da faca na jugular, também esta de um marinheiro de primeira viagem. só no sagüão. só. de verdade. a solidão era mais do que física. mais do que metáfora. além de mim ninguém mais. só procurando o consolo nos livros do poeta querido. encontrei. chamaram o meu vôo.
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4 comentários:
ê mirovsky, essa história dá uma punhalada no coração!
Miro, este foi o texto mais bem escrito que li aqui - parabéns por expressar tão bem a situação e o sentimento da solidão!
cadê tu?
ô rapaz, onde se meteu? foi dar uma voltinha em Varsóvia, Wirsburg, Amsterdam ou Trecchina? seja onde for, volta logo!
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