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7.31.2008

convite


pra falar bem a verdade, eu não estava com a menor vontade de escrever hoje, acordei de ressaca, atrasado, mil coisas pra resolver por aqui, e além de tudo faz um calor sertanejo… queria ir pra praia, não tem, tem lago sujo e piscina pública cheia de mijo de criança, adulto e velho. e água é friiiiia! pois… resolvi o que tinha de resolver, peguei meus óculos novos, banco, oculista, tudo isso de bicicleta, botando os bofes pra for a, o calor, o buraco do ozônio e eu sem perder a pose a pedalar pela cidade. enfim, nada disso vem ao caso, cheguei em casa agorinha, pensando em cumprir a minha obrigação blogal de hoje e de fazer uma homenagem a Macunaíma, o grande (anti-)herói brasileiro, e à minha própria preguiça de hoje, de sempre. mas aí vi os comentários que Bernardo tinha deixado hoje, dei risada, fiquei feliz, mudou meu astral, e ganhei meu dia! e pensei na família, nas Marias, e me lembrei da minha primeira visita a Trecchina, a cidade onde tia Carmena (a avó de Bernardo e de Maria S.) e meu avô João nasceram. onde estive a primeira vez no final de 1989, depois voltei em 1990 pra tirar carteira de identidade. sempre tive vontade de voltar por lá, de comer de novo funghi das montanhas enroladinho em tripa de porco. sentir o cheiro bom das montanhas, de lenha queimando na lareira, e (de fato) minha maior vontade era levar Maria S. por lá. tenho certeza de que ela adoraria, já pensamos e repensamos mil vezes, fizemos até planos de alugar carro e fazer assim e assado. nem sei mesmo o por que de não termos feito esta viagem. sei que Bernardo foi lá há alguns anos atrás, e teve até mais sorte que eu com os parentes do lado dos Sangiovanni. e sei que Maria P. também ainda não foi lá, se a gente chamar, com certeza viria junto!

comecei a viajar. na possibilidade dos quatro primos se encontrando por aqui, pegando um carro e descendo a bota, rumo ao sul, pobre lindo rico sul italiano. costas maravilhosas, mar lindo do lado da montanha. descendo pra Trecchina.

e aí primos, vamos???


fui.

7.30.2008

vitória

hoje uma grande vitória para os dois ousados, uma dona de bar em Berlin, o outro um dono de discoteca no interior. eles recorreram ao supremo tribunal federal daqui e ganharam: a partir de hoje em locais com um só espaço, onde não sirvam comida e que só maiores de 18 anos freqüentem, pode-se voltar a fumar!!!!

como a dona de buteco aqui em Berlin disse hoje na entrevista:
“somos todos adultos, sabemos do mal que o cigarro nos pode fazer. mas é minha a opção de fumar ou de deixar de, assim como de freqüentar este e não aquele local!”

sem maiores comentários, só posso dizer que estou felicíssimo!!!!

fui

7.29.2008

Lisboa revisitada


















“cometi todos os crimes,

vivi dentro de todos os crimes
(eu próprio fui, não um nem o outro no vício,
mas o próprio vício-pessoa praticado entre eles,
e dessas são as horas mais arco-do-triunfo da minha vida).”
trecho de “PASSAGEM DAS HORAS” Álvaro de Campos










Portugal, verão do ano 2000. fui ser padrinho de casamento de minha amiga Susana Fernandes Genebra. no norte, nas montanhas. depois da cerimônia e da festança, minha fome e minha sêde por Lisboa eram imensas. peguei o ônibus no dia seguinte e desci via Porto para a tão ansiosa cidade. queria seguir os passos do meu poeta preferido. lamber as ruas e os becos por onde passou. nesta noite fui assaltado. bairro alto. três me pegaram do nada. canivete na jugular. golpes de testa. até o sangue escorrer. transeuntes passando ignorando as nossas existências. trouxe uma cicatriz na sobrancelha esquerda de lembrança. souvenir lisboeta. no dia seguinte, vestido de branco e de banho tomado. Susana e Andreas vieram me encontrar, assim ela me fotografou tão pequeno diante do colosso de pedra de glórias e tempos passados erguidos por tão ingloriosa política. não foi a dor na carne, nem a ferida na sobrancelha esquerda. foi a dor do desprezo. da ignorância. da incapacidade de compreender e de ser compreendido. as línguas só mesmo se roçam. bem soube dizer o outro poeta. achei consolo nas horas nos sagüões de aeroportos, lendo Pessoa e de Campos. tentando voltar pra casa. sempre tentando isso. tentando entender um pouquinho mais. tentando mais e ainda amar amargamente a cidade que não me quis. três anos depois voltei. sabendo que também meus ídolos tomaram porrada e foram roubados em esquinas do bairro alto. voltei pra encarar de perto. desta vez já nem mais me senti assim tão pequeno e tão abandonado. voltei ao local do crime como quem volta pra casa. e fui pro Brasil.





"trago dentro do meu coração,
como num cofre que não se pode fechar de tão cheio,
todos os lugares onde estive,
todos os portos a que cheguei(…)

(…)e tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero."

PASSAGEM DAS HORAS







7.28.2008

las meninas

fotos Miro Paternostro
feitas durantes os últimos ensaios de 'amor e intriga' de Friedrich Schiller
dir. Leander Haußmann

Gesher Theater, Tel-Aviv, 1999
Dodô no camarim









Israel, Tel-Aviv 1999. os figurinos já prontos, depois de muito desespêro, achando que isso jamais poderia acontecer, eu no meio de uma
infinidade de costureiras e costureiros russos, que não falavam palavra de uma outra língua. brigas trágicas com a produtora, que achava que eu era perdulário e que gostava de gastar mais do que eu haveria em meu budget. o calor inenarrável do verão em Tel-Aviv. eu queria mais era fritar na praia e tomar banho de mar. que nada!



mas pelo menos eu tinha as meninas… lideradas por Dodina (tentei ver no programa da peça o sobrenome dela, como o programa era bilingüe: hebreu e russo, peço desculpas pela omissão do sobrenome, mas não sei falar nem ler em nenhuma dessas duas línguas), eu a apelidei carinhosamente de Dodô, ficamos muito amigos apesar das dificuldades de comunicação. as outras meninas, Limor, Nathalie, Tamara e Glenda, adoráveis.
são as únicas fotos que tenho dos ensaios. eu simplesmente perdi um filme inteiro, justo aquele em que fotografei todo o ensaio. ficaram estas poucas fotos das meninas. ponta de filme.
Israel, foi uma experiência incrível. tenho de escrever mais sobre a grande e complexa e principalmente paradoxa experiência na terra que se diz sagrada.

sagradas sim, as minhas meninas.














Dodô no palco















las meninas



















Limor no palco

7.27.2008

Juvina nas montanhas


foto Miro Paternostro.
Innsbruck, Austria. Julho 2003





Juvina no Brasil é nome de gente. na Áustria de água mineral. eu só conheço uma com esse nome. da água nunca bebi. tamanha a minha surpresa ao ver o nome lá nas montanhas de Innsbruck.

fui.

7.26.2008

Café Aïda






o Café Aïda em Viena é uma instituição. é um café popular com os maravilhosos cafés e tortas, e guloseimas a preço popular. existe desde o início do século XX, se muito não me engano. quase que um precursor do McDonald's Café, que desde um ano atrás brota em cada esquina. só que o Aïda tem um charme muito especial. em primeiro lugar o visual parou e ficou nos anos 50 ( provávelmente depois da guerra muito teve de ter sido renovado e o café ganhou este visual em tons pásteis e um logotípo em cor de rosa pastel), depois o pessoal, as garçonetes são por sí só uma espetáculo a parte, e por fim as pessoas que o frequentam. Viena é uma cidade muito melancólica e por outro lado carrega consigo uma morbidez inigualável. é preciso muito bom humor e muita força par vencer-se os invernos escuros e frios em Viena sem cair em depressão profunda.
a foto é a da filial da Ópera, no centro de Viena. defronte ao café tem uma passagem subterrânea, na época cobiçadíssima por michês do leste europeu, e habitués a procura de sexo fácil. do outro lado da rua, a ópera, e o departamento de figurino do Burgtheater, da òpera e hoje em dia práticamente independente, costurando pra fora feito um louco. ele, o departamento de figurino, simplesmente comprou o palácio, 'Hanusch Hof' onde eles trabalham em 5 andares, o resto fizeram coberturas de luxo com elevador panoramico próprio e vivem dos astronômicos aluguéis. mas isso não interessa agora.
o que interessa são aquelas duas senhoras na mesa no fundo a esquerda. são gêmeas. vivem juntas, inseparáveis. todos os dias no mesmo horário vinham tomar café da manhã no Aïda. sempre vestindo roupas iguais, o penteado, até mesmo os óculos delas duas eram iguais. foi a única vez que consegui fotografá-las sem fazer arruaça. adoraria ter conversado com elas um dia e ter sabido de sua(s) vida(s).
ficou esta pequena recordação. espero que elas estejam bem e com saúde.


fui.


P.S.: clicando no título dar pra entrar no sitio do café! eu adorei esta novidade!!!

7.25.2008

Obama em Berlin

ele veio. e vieram também as mulidões. 200 mil pessoas, algumas vindas até de outras cidades da Alemanha. óbvio que eu não fui. preferi observar tudo do conforto das minhas quatro paredes.
uma coisa ainda me intrigava, toda aquela estória de 'quem matou Barack Obama?'. daí quando ví o cara entrar no palco e a multidão delirar, comecei a pensar no fato de se comparar Mr Obama com um pop-star, e de como que alguns deles que morreram jovens e trágicamente, como Joplin, Morrison, Hendrix, e cravaram em suas imágens esta aura de mártir para muitas gerações. seria essa uma resposta? será que estamos a procura de um novo mártir, de um novo messias? e precisamos sacrificá-lo para poder adorá-lo? somos todos cristãos, ou pelo menos vivemos numa civilização cristã. incorporados pela liturgia, ainda a espera de um novo messias, e óbviamente precisamos sacrificar nossos ídolos para poder adorá-los. seria essa a idéia atrás disso? ou seria mesmo uma estratégia de marketing, uma estrtégia política iniciada até mesmo dentro do clã político de Obama? em política americana, nada se deixa ao acaso.

a coisa toda da visita dele foi muito bem planejada, ele queria inicialmente falar em frente a porta de Brandenburgo, o lugar do legendário discurso de John F. Kennedy, quando de sua visita a Berlin em 1961. o governo alemão o negou, afinal se trata de um candidato e não de um presidente. deram-lhe a coluna da vitória, que fica exatamente em frente à porta de Brandenburgo. lógica de alemão, quase que de português. logo no início do discurso ele disse vir a Berlin como um cidadão do mundo e não como um candidato à presidência. quase que citando Martin Luther King. nas entradas para a avenida 17 de junho, uma equipe dele dava boas-vindas aos visitantes, a cada um um 'bom dia', um 'obrigado por ter vindo' e o que eu achei melhor de tudo: 'welcome to the show!'. e foi mesmo um show, meticulosamente planejado, ensaiado. e mesmo assim a platéia delirou. os jornais aclamam: Barack Superstar! mas o que foi que ele trouxe na bagagem, qual a mensagem do cidadão do mundo? uma coisa ficou bem clara, mesmo que se nas entrelinhas, mais soldados e mais apoio militar e financeiro da Alemanha na guerra contra o terrorismo, exatamente aquilo a que todos se opunham antes, por não simpatizar com Bush. agora aclamam e aplaudem. nós as ovelhas, ele o pastor. e de novo a liturgia.

Bush realmente foi o ápice do Mal. eu adoraria vê-lo como o primeiro ex-presidente americano a responder por seus crimes perante ao tribunal das nações unidas em Den Haag. o que de fato jamais acontecerá, nem mesmo num universo paralelo! McCain, incorpora o pobre veterano, ferido da guerra, casado com uma boneca Barbie e que já perdeu algumas eleições. seria no caso, trocar um energúmeno por um bobo da corte. Mr Obama representa o contrário de Bush, a começar pela aparência. rótulos. e agente sabe que o olho sempre come junto. não quero despresar as idéias de Barack Obama, mesmo porque nem faço idéia delas. e nem mesmo ninguém faz. talvez o primo Bernardo tenha razão, e a diferença entre ele e McCain estaria apenas na quantidade de melanina. eu realmente ainda não sei.

tento apenas ser um pouquinho otimista e repito comigo, dos males o menor.

será?

Boipeba, me aguarde!

P.S.: clicando no título da postagem vocês podem ver uma série de 24 fotos da visita em Berlin, adicionada da revista Der Spiegel.

7.24.2008

álbum de retratos.1

minhas primeiras lembranças de palco, foram lá do jardim de infância, na ‘Baronesa de Sauípe’, no largo do papagaio. depois nas idas com Carmen pra escola de dança, os primeiros cheiros de cuchia.

do amor pelos tecidos das idas com dona Nane a Casa Sloper, no tempo em que a costureira vinha de vez em vez, renovar o guarda-roupa, não se comprava nada pronto. o cheiro dos tecidos na Sloper me fascinava.


bem mais tarde escola de teatro, nunca acabada.

tentativas no Rio. deploráveis apesar da boa experiência na escola de artes do parque laje. depois mais tarde de volta, desta vez a convite pra fazer figurino de filme. que saudade de Joaquim Pedro de Andrade. foi realmente como um pai pra mim e que grande lacuna você deixou.

Alemanha, depois de muitas faxinas, bares, pratos a serem lavados, fraldas a serem trocadas, entrei pro mundo dos musicais. depois vieram os teatros alemães. 5 anos em Bochum, sete com o Stuttgarter Ballet, Burgtheater em Viena, não posso me queixar da carreira que fiz e que de muito bom senso deixei pra trás, apenas pra não perder o juizo.

nomes, lugares, lembranças, saudades e dessaudades. vão-se os anéis e ficam-se os dedos. as fotografias e as lembranças.










cabaret das ilusões. Curso livre do TCA. dir. Luiz Marfuz. figurinos e cenário: Marcio Meirelles. foto: anônimo. 1983.


















foto Willy Boeing
Bochum
1996















































Tem Cardume no meu Aquário.
Charanga litero-musical Amigos de Pagú.
dir.: Márcio Meirelles
1984

foto: anônimo
















the sinking of...
Stuttgarter Ballet
1995
Dir.: Marco Santi
foto: Kai Binder























Tempos do musical Evita.
esperando o buzu pra mudar de cidade.
em algum lugar desse mundo de meu deus. 1991.
foto: Christina Jelen
quem num tem o que fazer acha!!!












no telhado do Schauspielhaus Bochum. 1996.
foto: Tim Pannen











meu ateliê em Bochum.
1996. capa para Germania 3, de Heiner Müller.
foto minha


























acima: Leandra Overmann. Mezzo-soprano. Le Nozze di Figaro. Basel, na maquiagem. foto minha. 1998

ao lado, minha queridíssima Margit Carstenssen.
Polaroid tirada durante os ensaios de Roberto Zucco. Bochum, 1998













durante os ensaios de fotos, baseados em Shakespeare pro programa anual da Schauspielhaus Bochum, eu esto de joelhos, figurinista sofre!
Ezard Haußmann, no seu colo (Haha) Daniela Hai.
foto Tim Pannen, Bochum 1996








eu, pintando o figurino que foi afixado no esqueleto de metal, cada um destes figurinos era um próprio palco giratório.
esqueleto do figurino para uma ópera com o grupo Ensemble Moderne. Frankfurt, 1998


































Tel-Aviv, Israel.
primeiro ensaio, eu explicando os figurinos para os atores. Gesher Theatre, 1999

7.23.2008

o mundo aos avessos ou, Cândido, o quase pessimista

pra quem passou os olhos sem prestar atenção, vou colocar aqui mais uma vez, destacando a foto.




quem matou Barack Obama?


não é capa de ‘contigo’ em véspera de final de novela. quem matou Odete Roitmann. e nem se pode comparar estes dois arquétipos. no caso Odete Roitmann (pra quem se lembra!) estaria muito mais pra George W. Bush do que pra Obama.

e o pior de tudo, ele não é ficcão!!!


sem querer me gabar, mas logo que esta esória toda começou, pensei com meus botões, vão dar um tiro neste cara. depois ouvi isso de uma grande amiga minha quando veio me visitar aqui em Berlin no natal do ano passado. um pouco mais tarde, a escritora Doris Lessing ao receber o último prêmio Nobel de literatura, disse pela primeira vez em frente às cameras de televisão mundiais, em bom tom pra quem quisesse ouvir: ‘vão matar Obama!’. assim mesmo com todas as letras!


há exatamente duas semanas atrás, ví num noticiário de cultura falando de uma lojinha em Noviórqui, que vendia camisetas, canecas de loiça e o caralho a quatro, tudinho com o slogan: ‘who killed Barack Obama?’ quando cheguei em Breslau na semana passada, nem poderia imaginar vê-lo assim: lá, tão grande, portentoso e ainda assim com a mesma frase. como estava de ressaca, até pensei, será que ainda estou bebum?
de volta a Berlin, assistindo a episodios do seriado ‘24’, quase fiquei abestalhado com as coincidências: um presidente afro-americano, jovem, bonito e carísmático. quer dar um passo importantíssimo em busca da paz mundial. e convida um líder árabe (naturalmente taxado como terrorista)
para um debate e para uma negociação de paz. necessário dizer? tavam planejanendo matar o Obama do seriado 24!!! louco pra ver na semana que vem o resto!
quem é que imita quem? realidade. ficção. ficção. relidade. eu nem sei. nem vou por estas des-aventurosas estradas. muito mais me interessam duas coisas:




a primeira, este homem, sendo bom ou sendo mal. já virou ídolo, já virou lenda. ele tem carisma. sua retórica é convincente, e até mesmo se não fosse: depois de 8 anos de George W. Bush, o grande enérgumeno da história do século XXI, os republicanos entrando com um candidato como o McCain, um pobre veterano frustrado, velho demais pro emprego e com sêde de mais sangue e de mais alguns anos de guerra no Iraque? mais constrastes do que o próprio contraste do branco e preto? e de repente o mundo se depara com um jovem ambicioso senador negro, a quem a própria filha de JFK, já o taxou como a herança política do pai??? quer mais ou tá bom?

marketing, manobras políticas, verdade, mentira? tarde demais: o homem é um mito!


a segunda coisa que me interessa: e se a realidade realmente imitar a arte, a ficção, o comércio? todo este movimento, tudo isso me dá muita apreensão. eu nem gosto de especular a hipótese de o que seria se…? na melhor das hipóteses se fosse um filme com um final feliz, ele não seria assassinado, no mundo reinaria paz, talvez mesmo uma nova era comessasse. nos meus mais íntimos sonhos o George W. Bush seria entregue ao Tribunal das Nações Unidas em Den Haag, seria condenado por crimes hediondos contra a humanidade e realmente uma nova era de justiça e novos valores poderia começar. seria possível? fico a me balançar entre otimismo e pesimismo, mito e verdade, realidade e ficção. mesmo que se o meu pêndulo de dúvidas parasse num ponto equidistante, ainda asim não sei.

ele está chegando aqui, já celebrado como presidente, com discurso em frente à coluna da vitória (!!!), no centrão de Berlin, com ruas fechadas e a porra toda. pensei até em ir vê-lo. mas nunca gostei de multidões, a não ser se fosse nos bons tempos de carnaval na praça Castro Alves. vou ver da televisão, ao vivo e a cores e no conforto do meu lar.

nos últimos tempos, com o mundo assim enlouquecendo, mudando tão rápidamente, tenho pensado muito em o que fazer de minha vida daqui a alguns anos, duas possibilidades me ocorrem: entrar num convento de monges trapistas (são aqueles que não dizem nem ui, não é?), de preferência na Polônia num convento bem escuro e medieval; ou comprar um barraco em Moreré (na ilha de Boipeba) virar hippie e nunca mais nem ligar um rádio pra não ter idéia do que se passa neste mundo-de-meu-deus!





uma coisa é certa: amanhã é outro dia!





fui!

7.22.2008

chá, café e correr a casa

depois de visitas e viagens...


se for de paz, pode entrar!



















entrando à direita, minha cozinha












meu cantinho na cozinha, pra comer, beber, ler e ouvir música.











do meu cantinho eu vejo a janela
















o quase-banheiro








até a pr. municipal e Sto Amaro pelos olhos de Maria















muitios temperos e aromas







o quarto. pra dormir, ler, vadiar e ouvir música.
e quando tem visita, dou o quarto e durmo na sala.





























por fim, dar uma olhada no corredor, antes de entrar na sala.







pra ler, trabalhar, escrever aqui e ouvir música



































e agora, queres chá ou café?

hiato.1

um outro hiato toma conta do espaço. Micha e seus amigos, que haviam voltado no domingo, agora foram embora. acabaram de partir. fechando assim o ciclo dos acontecimentos.
oropa, frança e bahia. visitas, muitas visitas, idas e vindas. chegadas e partidas. (re-)encontros. outros tantos virão.

7.21.2008

hiato

um buraco nas idéias.
talvez ainda a digerir os dias passados na Polônia. falar português. dar risada. falar besteira. e jogar conversa-fiada e paga-a-vista fora.
da eterna sombra de ser estrangeiro em todos os lugares, até mesmo em casa.
e este mês de julho tão cheio de chuva, cinza e frio, como se eu estivesse em casa.
tem quem acredite que quando você viaja, a depender da velocidade, seu corpo vai na frente, sua alma vai devagar. será que a minha já chegou?

vou deitar e apagar a luz, fechar os olhos e ouvir o que o silêncio me diz.


boa noite.

7.20.2008

Berlin Wroclau Berlin















Berlin. 17 de julho 2008, o despertador tocou as 6 e meia. eu quase nem o ouço. levantei meio que sem saber o que estava fazendo. lavei o rosto com água fria e fiz um café forte. peguei o M41 e fui. cheguei à estação e logo encontrei meu amigo Gregoire, o francês, que ficou encantado com a música dos dois e quis ir junto de qualquer jeito. no trem, cada um de nós pegou duas poltronas para si. dormi quase que a metade do caminho. quando despertei, peguei meu exemplar de “Rosália Roseiral”, que ainda não tinha relido desde a minha volta. achei a ocasião perfeita. e foi! desta vez ainda com um outro paladar.





chegando em Wroclau/Breslau, fomos procurar um albergue para ficar. tudo parecia um grande cartão postal, onde as cores há muito já desbotadas pareciam ainda mais tristes com a luz sombria do mormaço polonês. instaldos, fomos para rua, encontrar um jeito de encontrar Jussara. em tempos de e-mails, celulares e caralho a quatro. deixei todas essas possibilidades de lado. queria era me aventurar nesta cidade desconhecida. tinha certeza que tudo ia dar mais do que certo. difícil foi tentar convencer meu amigo disso, que simplesmente deve ter pensado que eu sou doidio de jogar pedra. nas ruas de Breslau, vi o movimento do festival, um bando de gente de tudo o que era lugar deste mundo. ví logo que quem participava do festival tinha um crachá pendurando numa fita azul e branca. chegamos então a uma praça onde estava instalada a central do festival. não contei conversa. entrei e fui ao balcão de informações. expliquei ao menino a minha situação, brasileiro, chegando de Berlin para fazer surpresa a amigos, etc e tal. ele simplesmente me deu o número do celular do diretor do festival. eu liguei pra ele (da cabine telefônica, com moedinhas polonesas), muy gentil, me disse onde podia encontrar todos. fui. fomos.




chegamos ao local onde o concerto haveria de acontecer mais tarde. em lá chegando, já íntimo do gerente de Palco, um polonês de tirar o fôlego, Bond, o seu nome, que me levou para o camarim do grupo. em lá chegando, gritos, beijos calorosos,
abraços apertados, o primeiro gole de Wodka polonesa. Gregoire, simplesmente estatelado. o show estava marcado para as 23 hs. fui comprar umas pulseiras douradas e uma rosa pra Jussara. ela havia me mostrado o vestido (sempre um Caio da Rocha, maravilhoso), havia esquecido as pulseiras que tanto gostava e que combinavam tão bem com o colar dourado. claro que em eu sendo filho de Oxum com Oxalá, não poderia deixar uma Oxum destas sem as pulseiras dela.







voltei de banho tomado. o show: inenarrável. nem vou comentar, porque seria desnecessário. além do que minhas emoções ainda estão a me remexer. depois do show, mais Wodka no camarim. saímos com Jussara e um Gui, um dos músicos. fechamos até o último bar da cidade. dia seguinte, ressaca (reparem a cara de uva passa e maracujá seco na foto com Jussara e Greg), mas não me deixei abater. passeios, museus, muita água e muito café. no final da tarde concerto de música clássica numa das muitas igrejas da cidade, em companhia de Jussara, Arthur Nestrovsky (grande simpatia) e Zé Miguel. almoço ajantadrado com Gregoire. despedida de Jussara e Zé Miguel. e fomos cair de novo na noite até o dia amanhecer. vi o mundo rodar de tanta wodka e cerveja polonesa (bem mais forte até mesmo que a alemã). um pouco mais tarde acordei as 10:30. um chuveiro rápido. acordei o amigo e perguntei, que hora sái o nosso trem. 11:30, eram já 11! pernas pra que te quero. pegamos o trem, cada um com suas duas poltronas. ronquei de Breslau a Berlin. acordei, de cara mais amassada ainda, piloto automático. a horrorosa estação central de Berlin. despedi-me de Gregoire. entrei no meu M41. chuva e sol. casamento da raposa. cheguei em casa. exausto. olhei o computador e disse: amanhã é outro dia. deitei. dormi. digeri as emoções tantas dos dois dias tão maravilhosos. botei os cedês que ganhei, minha trilha sonora dos últimos dois dias. a chuva se foi. o sol brilha lá fora.

7.16.2008

o saco


















hoje a tarde quando postei, num teve jeito de baixar as fotos. será que foi outro calundú virtual, desta vez de Gordon, meu compu?
agora deu. felicíssimo com meu saquinho!!!
beijús.