
Berlin. 17 de julho 2008, o despertador tocou as 6 e meia. eu quase nem o ouço. levantei meio que sem saber o que estava fazendo. lavei o rosto com água fria e fiz um café forte. peguei o M41 e fui. cheguei à estação e logo encontrei meu amigo Gregoire, o francês, que ficou encantado com a música dos dois e quis ir junto de qualquer jeito. no trem, cada um de nós pegou duas poltronas para si. dormi quase que a metade do caminho. quando despertei, peguei meu exemplar de “Rosália Roseiral”, que ainda não tinha relido desde a minha volta. achei a ocasião perfeita. e foi! desta vez ainda com um outro paladar.

chegando em Wroclau/Breslau, fomos procurar um albergue para ficar. tudo parecia um grande cartão postal, onde as cores há muito já desbotadas pareciam ainda mais tristes com a luz sombria do mormaço polonês. instaldos, fomos para rua, encontrar um jeito de encontrar Jussara. em tempos de e-mails, celulares e caralho a quatro. deixei todas essas possibilidades de lado. queria era me aventurar nesta cidade desconhecida. tinha certeza que tudo ia dar mais do que certo. difícil foi tentar convencer meu amigo disso, que simplesmente deve ter pensado que eu sou doidio de jogar pedra. nas ruas de Breslau, vi o movimento do festival, um bando de gente de tudo o que era lugar deste mundo. ví logo que quem participava do festival tinha um crachá pendurando numa fita azul e branca. chegamos então a uma praça onde estava instalada a central do festival.
não contei conversa. entrei e fui ao balcão de informações. expliquei ao menino a minha situação, brasileiro, chegando de Berlin para fazer surpresa a amigos, etc e tal. ele simplesmente me deu o número do celular do diretor do festival. eu liguei pra ele (da cabine telefônica, com moedinhas polonesas), muy gentil, me disse onde
podia encontrar todos. fui. fomos.chegamos ao local onde o concerto haveria de acontecer mais tarde. em lá chegando, já íntimo do gerente de Palco, um polonês de tirar o fôlego, Bond, o seu nome, que me levou para o camarim do grupo. em lá chegando, gritos, beijos calorosos,
abraços apertados, o primeiro gole de Wodka polonesa. Gregoire, simplesmente estatelado. o show estava marcado para as 23 hs. fui comprar umas pulseiras douradas e uma rosa pra Jussara. ela havia me mostrado o vestido (sempre um Caio da Rocha, maravilhoso), havia esquecido as pulseiras que tanto gostava e que combinavam tão bem com o colar dourado. claro que em eu sendo filho de Oxum com Oxalá, não poderia deixar uma Oxum destas sem as pulseiras dela.

voltei de banho tomado. o show: inenarrável. nem vou comentar, porque seria desnecessário. além do que minhas emoções ainda estão a me remexer. depois do show, mais Wodka no camarim. saímos com Jussara e um Gui, um dos músicos. fechamos até o último bar da cidade. dia seguinte, ressaca (reparem a cara de uva passa e maracujá seco na foto com Jussara e Greg), mas não me deixei abater. passeios, museus, muita água e muito café. no final da tarde concerto de música clássica numa das muitas igrejas da cidade, em companhia de Jussara, Arthur Nestrovsky (grande simpatia) e Zé Miguel. almoço ajantadrado com Gregoire. despedida de Jussa
ra e Zé Miguel. e fomos cair de novo na noite até o dia amanhecer. vi o mundo rodar de tanta wodka e cerveja polonesa (bem mais forte até mesmo que a alemã). um pouco mais tarde acordei as 10:30. um chuveiro rápido. acordei o amigo e perguntei, que hora sái o nosso trem. 11:30, eram já 11! pernas pra que te quero. pegamos o trem, cada um com suas duas poltronas. ronquei de Breslau a Berlin. acordei, de cara mais amassada ainda, piloto automático. a horrorosa estação central de Berlin. despedi-me de Gregoire. entrei no meu M41. chuva e sol. casamento da raposa. cheguei em casa. exausto. olhei o computador e disse: amanhã é outro dia. deitei. dormi. digeri as emoções tantas dos dois dias tão maravilhosos. botei os cedês que ganhei, minha trilha sonora dos últimos dois dias. a chuva se foi. o sol brilha lá fora.

5 comentários:
quase nem consigo terminar de ler. Hoje sou uma chorona de marca. Estas minhas duas crianças lindas maravilhosas soltas no mundo. Que beleza! Quanta felicidade! Beijos, prifilho da primãe toda orgulhosa.
Primo, ontem passei pelo ap de Iara, olhei e estavam todas as janelas fechadas, lembrei de vc com cara de sono me esperando de manhã cedo. Bateu uma saudade de vc! Involuntariamente fiz um muxoxo, querendo dizer prá mim mesma"ó pai ó, ele já foi mesmo". Bjs
Ufa!...fiquei sem fôlego! tô cansado, emocionado, com o satisfazido cheio do passeio. Inda de lambuja, um pedacinho de Zé Miguel.
Brigado!
Miro, adorei seu saco! Esse vermelho é do seu tamanho! Beijos. Flor, sua noiva.
e eu acabei de viajar com vc!
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