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7.15.2008

o cabo. o saco. o show e os cornos do carneiro.


obra em progresso. óleo.



sou ariano filadaputa, graças aos deuses. com ascendente em peixes. ou seja um pé aqui e o outro só os deuses sabem. mas quando estou com áries de frente, saibam: sou carne de pescoço! daqueles mesmo clichê! típico, tipo caneca de signo.

semanas se passaram e eu à procura de um cabo que conectasse meu celular com o meu computador, ambos ganhos de presente, ou seja, não vamos olhar os dentes dos cavalos dados. comprei um cabo, logo depois do final de semana da parada gay aqui em kreuzberg. louco para mostrar as fotos. o cabo não funcionou, era de segunda-mão, voltei no brechó, expliquei ao árabe a minha estória e ele me devolveu o dinheiro.

hoje eu acordei com os cornos de frente. dia de resolver coisas: comprei outro cabo. ainda nada, o outro árabe também já me devolveu meus oito euros.


fui então a loja de materiais de construção. adoro! (o melhor lugar para paquerar) queria comprar umas correntes e uns parafusos para pendurar um saco de areia, que eu ainda iria costurar. quando expliquei ao vendedor que eu morava num prédio antigo, quase velho, ele me disse: esqueça! impossível. uma coisa que deixa todo e qualquer ariano puto da vida, fora dos eixos. impossível: não existe em seu vocabulário. no meu então, zero!

voltei pra casa. fui espiar o teto da sala, observei e vi que do meu do teto saía um gancho. peguei a escada, arrumei um arame, enrolei o arame como um outro gancho, subi a escada e praticamente me pendurei no gancho com o arame enrolado. nada aconteceu. poderia pendurar um boi. voltei pra loja de construção e fui pegar minhas correntes e carabinas. desta vez sem falar com nenhum vendedor: todos energúmenos! acho que todos que por lá trabalham, antes de serem admitidos têm de provar que têm um QI abaixo de cinquenta pontos. fui.

em meio a tudo isso, minha carona para Breslau, na Polônia, desistiu me deixou na mo aos 44 minutos do segundo tempo e sem prolongamento. ia assistir ao show de Jussara Silveira e de Zé Miguel Wisnik. resolvi não me aborrecer, outra coisa difícil para um ariano de verdade, mas tripas a gente faz rápidinho em coração, coisa de segundos. fui pra uma agencia de viagens, lá descobri que perdi por um dia a passagem mais barata (1/4 do preço original, mas tinha de ser comprada 3 dias antes da viagem). ainda assim não me deixei abalar. já quase sem tripas voltei pra casa e fui costurar meu saco de areia pra pendurar na sala ainda. hoje!

tava doido pra dar umas porradas. oh coisa boa!!! aprender a bater, a dar e a saber tomar porrada. coisa que por exemplo simplesmente não existiu na minha infância por mim mesmo já estipulada como chata. há meses vou quartas e sábados para o treino de box. melhor que psicoanálise e muito mais barato, além do que, mantenho a forma e já perdi a barriga que trouxe da Bahia como souvenir. e a catarse é perfeita. queria um saco de areia em minha casa para continuar a dar porrada nos intervalos e na hora que eu bem tivesse vontade de.

pensava em Jussara, nas promessa que a fiz que iria, comecei a me aborrecer, descontei na PFAFF, quebrei umas quinze agulhas, o pano é pesado e o saco tinha de ser resistente. principalmente quando este saco estivesse cheio. ainda assim não me deixei abater, não vou chorar sobre as agulhas quebradas.

mas aí depois de horas a fio, vi que só me restava uma única opção: confessar que capitulei. o saco ainda não está pronto, o meu mais que cheio, porque ariano não tem paciencia pra fazer um molde, vai é cortando o pano e metendo em baixo da máquina de costura e pé no pedal! resultado: se perde muito mais tempo do que era preciso, mas tem um efeito assim meio que de porrada. só quando costuro pra for a que tomo pileques de paciência.

desitir do show? ainda não. se me der na telha, pego é a porra do trem na quinta de manhã, pago inteira e volto na sexta no mesmo pé. foda-se. quanto ao cabo? ainda vou dar um jeito. é bom também aprender a saber largar as coisas antes da gente começar a dar golpes na parede com a cabeça.

os meninos partiram hoje de manhã pra Holanda. a casa de novo parece que passou um furacão por aqui, não por eles, mas sim pela bagunça que eu próprio consegui produzir nas últimas 12 horas.


antes de domingo, vou deixar tudo limpinho de novo, eles voltam para mais dois dias aqui.


e amanhã? coninua sendo um outro dia. portanto viva Ibrahim Sued!!!! que ademã que eu vou em frente!

4 comentários:

Anônimo disse...

Está bonita a sua pintura! Gostei. Bjs

Edu O. disse...

Eu como escorpiano e, a vida achou que isso era pouco, com ascendente em àries, sei bem o que é isso de saco encher, embora teime em ficar vazio (o de verdade).

Adorei essa estorinha. Sei que não é para adorar, mas esquecendo que você fala da realidade foi uma delícia ler tua aporrinhação. Desculpe!

Bravo pela pintura.

Bernardo Guimarães disse...

Fiquei aliviado; pelas ultimas escritas, vc estava precisando de um sacolejo! Pelo que vi, não é coisa de ariano nada, mas de ITALIANO! quando me aporrinho, dou piti, tiro pra cima e tapa em rapariga! Dá-lhe, primo, pega a merda do trem e se pica!
Abç.

Anônimo disse...

vou no e-mail ver se você está no ar, quero papear.