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6.30.2008

rituais


foto publicada na revista 'esquire' nos anos 90.
retrato de Lady Barbara Cartland, com dicas do seu ritual de maquiagem.








querida Maria P.,






respondendo a sua pergunta: não, eu não participei de um ‘reality show’ chamado ‘Betty Ford Clinic’. mas acho que este até que seria um grande ‘reality show’. conta a lenda, que na 'Betty Ford Clinic', criada por ela mesma nos anos 70, Mrs Betty Ford, quando então era a primeira dama dos estados unidos da américa do norte, muitas celebridades que pra lá foram tratar-se de problemas com alcóol e/ou drogas, assim que chegavam na clínica, ganhavam um balde, um escovão e lá se iam eles limpar chão e latrinas do ambiente, muito que pra descer do pedestal e meio que pagar um pouco mais caro pelos pecados. muitos os nomes, Liz Taylor, Richard Burton (as vezes sózinhos, as vezes acompanhando um ao outro), Lisa Minelli, Frank Sinatra, Nancy Sinatra, Sammy Davis jr e por aí vai a lista das celebridades dos bons anos 70 e 80. quando a Betty Ford Clinic viveu seus áureos e gloriosos dias. hoje o que mais existe nos eua, são clinicas especializadas em britneys & spears, que também pululam e infestam o mundo do show business e meio que se excedem nos vícios.

eu não tenho e nunca tive pedestal nem nunca fui celebridade, mas confesso, pequei muito no final de semana… graças a deus! achei que nada mais justo do que curar a minha ressaca, limpando a minha casinha, que aliás estava mesmo precisada. meio que um ritual de limpeza, de fora pra dentro e vice-versa. e como o nome da clínica é meio que um objeto de culto, brinco sempre com isso. é um dos ícones da minha juventude, assim como 'studio 54', o mais perto que eu cheguei dos meus ícones foi uma buate também batizada de '54' só que esta em sto Amaro. lembro-me ter pedido ao dj pra colocar a trilha sonora de 'dancin' days', daí fechei os olhos e achei que estava lá mesmo, dancei de me acabar!

mas achei a idéia de fazer um ‘reality show’ com um bando de alkis e drogados, na clínica, meio que um ‘big brother’, mas como é que seria, na verdade o primeiro que conseguisse sair deveria ser o grande ganhador. será que dava ibope? hoje ainda passei o dia ainda assim, limpando, limpando, limpando. agora só falta mesmo eu me limpar. vou pro meu esporte, mas só pra entrar na sauna, mandar descer o suor e tirar os resquícios do final de semana. rituais de limpeza... judeus, mulçumanos, macumbeiros, cristãos, todos os têm. JC ainda incrementou o negócio, passando ele mesmo em se tratando do filho do chefe maior, lavando os pés da moçada, pouco antes dele ir para na cruz. aliás, pensando bem os católicos são bem espertos, vamo ver ai: carnaval. invenção de quem? de católico! você tem o direito de se acabar nos excessos antes de partir para a auto-punição: a quaresma, o jejum etc. e além disso tem perdão automático assim que, mesmo que ainda fedendo a cachaça, saindo da lama, você entra na igreja e deixa que lhe pintem uma cruz na testa com cinza. simplesmente genial. além do que na missa tem vinho e dá pra fazer uma boquinha. outra coisa genial dos católicos: o incenso. adoro o cheiro, resquícios dos dias de ‘coroinha’. lí outro dia, aqui uma matéria em que cientistas descobriram, um elemento no incenso, que faz com que as pessoas fiquem assim mais ‘alegres’, ‘descontraídas’ e mais conectadas com deus. já pensou? viagem coletiva na igreja?! já dizia mesmo Karl Marx, religião é o ópio do povo.


vai pro trono ou não vai????





fui.

6.29.2008

recado


ói, seu Miro mandou dá um recadinho, ele disse que tá de ressaca e que tá uma caca. entrou no programa de uma tali de betty ford clinic e passou as horas da ressaca limpando a casa, lavando roupa, agora está um misera!!! a casa porém um brinco!
foi se deitiá. mandou tombém dizê que a festa ontei, foi bacana mêrmo. dançou de se acabar, botou uma tali de nêga rodeira de frente e mandou no samba de roda, tudin tocado por um monte alemão, tudin assim branquin, ‘tinta-fraca’ come ôces fala puraí.
dissem tombém que tirô umas foto. mas que tavo sem cabo prumodi metê as bicha no tali do computadô.
aminhã seu Miro tará de vorta. com cabo. com foto. com o tali desse blog.
foi. e eu tombém.

6.28.2008

Dete




de Dete só tenho estas 3X4. e algumas poucas lembranças. Dete trabalhou conosco no caminho de areia. lembro da sua mão segurando a minha me levando ao largo do papagaio, mão forte e calejada, quente e carinhosa. lembro da deslumbre de Dete vendo o homem descer na lua, certamente a procurar s. Jorge. nas limpezas de ano novo, ajudando minha mãe e no cair do dia, todos de banho tomado, esperando o incenso pra abrir os caminhos para o ano novo. ou quando um ator de novela morreu, no meio das gravações, Dete se recusava a acreditar, enquanto ele ainda aparecia na novela, ela dizia ‘ta vendo aí dona Nane, o homem tá vivinho da silva’. de nós dois escutando rádio de pilha juntos, novela de rádio. lembro de quando queria que eu desse sossêgo e corria atrás de mim com as dentaduras postiças nas mãos, fazendo de conta que ia me pegar. eu corria e gritava e gargalhava até perder o folêgo e ganhar um abraço dela. faz tempo isso.
um dia seu Pedreira voltou do trabalho. não gostou de alguma coisa. mandou Dete embora no ato. dramas e tragédias de uma cidade. eu ainda consigo, se fecho os olhos, ver os dela durante a forçada despedida, incontáveis foram as lágrimas, indomável o meu despêro e a minha incapacidade de entender o que estava se passando. a trouxa na mão. de costas descendo as escadas pra nunca mais voltar. o vazio. o vácuo. um buraco uma cratera se abriu. silencio.

nunca mais Dete voltou. e nem nunca mesmo me deixou. amalgamada na cabeça do menino.


fui.


P.S.: hoje aqui em Berlin se comemora o CSD. Cristoph Street Day, parada do orgulho gay. aqui nesta cidade existem até duas paradas diferentes acontecendo no mesmo dia. uma oficial, enorme e cheia de dinheiro. a outra sem nenhum dinheiro. muito alternativa e muito mais divertida que a primeira: CSD em Kreuzberg, é pra lá que eu vou no final da tarde. não garanto que amanhã tenha lá muitas condições de escrever alguma coisa. provável que eu file o blog…







foto minha. Tel-Aviv, 1999. Christoph Street Day.


6.27.2008

lingüiça

mais uma semana que se acaba, o mês já quase também. sempre fui uma pessoa impaciente. quando criança então, a lentidão da vida me torturava. queria eu hoje, ter os dias compridos de novo, ou pelo menos ter a sensação de ter mais tempo. acho que o grande problema se encontra no fato de eu detestar de acordar cêdo. e disto ter sempre sido um fiél companheiro na minha vida.

hoje tive que. tinha médico, marcado pras 9:40 do outro lado da cidade. tinha de ir, já que depois da reforma no sistema de saúde aqui, paciente ‘normal’ virou lixo e as vezes para conseguir uma consulta com um especialista você passa meses esperando. eu fui. acordei cêdo. liguei o piloto automático. entupi meus tímpanos com música – não sei viver sem música e além disso evita todo e qualquer contato com quem quer que cruze o meu caminho – peguei um café na padaria da esquina. fui.

fico abestalhado ao constatar que acordar cêdo não dói nem tira pedaço, mas não nasci pra isso. adoro a noite, isso não quer dizer que eu viva pelos bares e clubes de Berlin, não, eu gosto do silêncio, da calma da noite. muitas vezes pego a bicicleta no meio da madrugada e saio por aí, ouvindo música. as ruas vazias, principalmente nos dias de branco. alguns anos atrás, no meio da madrugada já voltando para casa vi pela primeira vez uma raposa no meio da rua. fiquei alucinado. depois fui descobrir que em todos os parques, e em todas as áreas verdes de Berlin, tem pelo menos uma raposa vivendo. desde então já vi muitas. até outro dia mesmo, aqui do lado de casa, eu ía devolver o dvd, quando do lado do passeio já vinha ela, um metro, um metro e meio de distância, com um rato enorme nas presas. tipiti-tatipi-tapi, lá ia ela, lá ia eu, não nos assustamos com a presença do outro, seguimos cada um de nós o seu caminho. eu fui o único a virar a cabeça, pra me certificar mais uma vez da sua existência. ela, nem tchum!

ela, com certeza, deve estar dormindo agora, provávelmente teve filhotes, encolhidinha com eles em algum buraco, aqui perto na beira do canal. e eu acordei cêdo, fiz o que tinha de fazer, fui ao médico, tudimpaz, voltei, ninguém me mordeu na rua, eu não mordi ninguém, todos são e salvos e eu na paz do meu lar. com uns quinze cafés já no bucho, olho com o canto do olho o relógio que coloquei do lado do compu, com o horário do Brasil. lá é cêdo cedíssimo, provávelmente todos dormem. vou terminar o parágrafo, colocar o décimosexto café no bucho e vou ganhar o dia.


ademã, que fui de frente!


beijús

6.26.2008

saudade

o que mais me faz falta pelos lados de cá. nem dá pra explicar com palavras. talvez dos outros, mas nem sei a letra de cor e salteado:
















beira do mar
lugar comum
















será?
fui.




arembepe. janeiro 2006

6.25.2008

identidades e nomes

nomes e identidades

nome é uma coisa que se carrega consigo pelo resto da vida. se eu tivesse tido um filho, acho que ia chamá-lo de filho até o dia que que ele tivesse um mínimo de coerência e inteligência para escolher o próprio nome. se existe um deus, este bem sabe porque não botei filhos no mundo!

nasci de temporão. minha mãe com 43 anos e meu pai com 41. ambos queriam um filho. sexo: masculino. meu pai já tinha sido casado antes, teve um casal de filhos e o menino morreu com seis anos. minha mãe perdeu juventude e bons partidos, passando mais de vinte anos lutando contra a tuberculose. ambos queriam um filho!

minha mãe me falava ter tido vontade de me dar um nome curto, como Ivo. Cid. Ed.

meu pai queria que o menino tivesse o nome que tivesse, mas que fosse chamado pelo apelido de ‘Birinho’. nos idos dias de s. Felix, meu pai quando criança ganhou o apelido de ‘birro doido’, não tenho certeza mas acho ser um nome regional para pião. ele o ganhou devido à sua fama de estabanado. que bom que ele não ganhou o apelido de ‘caga voando’. de birro doido para biro foi um pulo, ou será que voi uma volta? e o filho dele o primeiro assim foi chamado: Birinho.

para evitar desavenças e aborrecimentos, minha mãe capitulou. colocou logo o nome todo: Walmiro de Almeida Pedreira Filho. perdi o nome curto, ganhei o nome dele inteiro, perdi o Paternostro no nome. além disso ainda herdei o nome de um finado. o que na minha lógica nada combina com as superstições de minha mãe. quando se é criança, nada importa, ou pelo menos sou de uma época em que as crianças assim eram adestradas. eu era birinho e pronto.
dona Adélia, era aparentada com a família de minha meia-irmã, a filha de meu pai, de quem eu só conhecia o retrato na sala. cabelo louro, olhos claros. nada a ver comigo. minha mãe me levava muito para visitar dona Adélia e dona Esther. daí eu me lembrar delas contando casos de ‘Birinho’, ‘Birinho fez isso, Birinho fez aquilo’ e eu a dar nós na minha cabeça sem me lembrar de ter feito nenhuma daquelas coisas. certa vez o nó foi tão grande, pois dona Adélia contava das proezas que por nome eram minhas, mas não faziam parte do meu currículo, quando ela comentou dos cabelos lourinhos de ‘Birinho’. eu devia ter uns seis ou sete anos. nó cego na cabeça do menino.

sei que não dei sossego até desvendar aquele mistério. foi então que minha mãe me contou da existência deste outro ‘Birinho’ e de sua morte aos seis anos por Leucêmia.

acho que a partir daí comecei a detestar este nome. mesmo com seis ou sete anos senti um enorme desprezo pelo nome, talvez eu exagere agora ou tente analizar o que senti, mas realmente me veio uma sensação de ter me sentido uma peça de reposição. ainda não tinha idade para me impôr e dizer que não queria ser chamado assim. e assim foi.

os anos se passaram e nós saimos da penísula itapagipana e fomos para a cidade alta. por parentescos, ganhei uma bolsa de estudos para estudar no Sophia Costa Pinto. ‘Walmiro’ entra em cena. eu detestava Walmiro, muito por ser o nome de meu pai. na adolescência os conflitos eram enormes entre nós. na melhor das hipóteses nós nos ignorávamos mutualmente, assim regia paz e harmonia no lar. No Sophia fiz amizade com uma família de sto. Amaro da Purificação. Milena, filha de Marlene de Quinzinho. ‘tia’ Marlene, como sempre a chamei, passou a me chamar de ‘Wal’. menos mal. minha mãe paralelamenete também tentou o tal do ‘Wal’ mas de novo sucumbiu ao maldito ‘Birinho’. Paula, uma grande amiga dos tempos do Sophia, veio com o apelido de ‘Biro’s’, era engraçado. sua mãe Sahada, até hoje me chama assim. assim como as meninas de Marlene até hoje me chamam de Wal.

1980. minha mãe morreu repentinamente. foi uma agosto tenebroso mesmo, como ela mesmo proclamava em suas superstições. ela morreu, Bibita ficou paralítica e eu com 16 anos muito mal vividos tive que administrar (no sentido literal da palavra mesmo!) tudo isso. mas esta é uma outra estória. foi um tempo de mudanças drásticas, no final de 1980, recebo a notícia, que o último ano de científico eu faria no novo colégio Sartre, que a turma do Sophia seria dividida em duas e eu iria para o Sartre. fui e a partir daí sempre pedia aos colegas, principalmente aos novos, chamem-me de Miro. e assim foi.

quando eu entrei na escola de teatro ainda usava Miro Pedreira como nome artístico, logo um ano depois, resolvi mudar para Miro Paternostro. e que assim fosse!

na Alemanha, sempre caras e bocas quando alguém pega meu passaporte para ler o nome, Walmiro Blá Blá Blá, é grande demais e um verdadeiro quebra-lingua. pra ocasiões em que eu não preciso mostrar o passaporte, sou sempre Miro Paternostro, como latin é lingua morta mas ainda estudada nas escolas daqui até hoje, Paternostro fica muito mais fácil de dizer.

em 1990 quando eu consegui de fato minha cidadania italiana, eu fui a Trecchina, agilizar meus papéis e muito mais pela curiosidade de conhecer a cidade natal de meu avô. os italianos me receberam beníssimo. mas e o nome??? grande, longo, comprido e extenso. resultado no tal dia em que estava marcado para eu pegar minha nova certidão de nascimento estava lá o nome:

Pedreira de Almeida, Walmiro Filho.

eu sempre acho toda e qualquer novidade o máximo, lá vou eu de nome novo, tudo trocado de lugar. achei o máximo!

tenho dois passaportes, duas carteiras de identidade, pelo menos três nomes diferentes, N formas de dizê-los e combiná-los. além de duas nacionalidades, e o fato de não residir em nenhum dos dois países de cidadania.

um grande marco pra mim foi fazer quarenta anos. e dar uma verdadeira guinada de 180° na minha vida. muita coisa que antes eu me incomodava: fudeu! tem muitas coisas no mundo e na vida muito mais importantes e de muito mais peso e importância que problemas simplórios como vergonha do nome, eu pelo menos não me chamo ‘Bucetildes’ ou sei lá como eram os casos engraçados com nomes assim que eu sempre ouvia de minha avó (de nome Itália, muito conhecida por Dona Italinha, uma grande figura!!!!). sou quem eu sou. gosto de ser chamado de Miro Paternostro, por um lado porque adoro este sobrenome, acho mesmo luxuoso. por outro porque eu mesmo o pude escolher. as vezes fico sonhando com a possibilidade de ter apenas esta uma identidade, este único nome escritos em todos os passaportes e carteiras. mas já pensou na burocracia e a trabalheira dos infernos de mudar a papelada toda em três países diferentes??? prefiro deixar come está mesmo. que assim seja!



fui!


beijús.

6.24.2008

24 ou 25?


muitas confusões na minha cabecinha. desde muito. dia de S. João é 24 ou 25??? sempre achei que era como natal. na véspera se festejava e no dia seguinte, o dele, se morgava, das comidas, dos licores, das quadrilhas e dos pulares de fogueira. e era aniversário de tia Yara. de fato ainda é no dia 25, mas não o de s. João…

dos lados de cá nem sinal de fumaça, e mesmo se tivesse deveria ter sido das fogueiras do solstício, estas sim no dia 21, entrada do verão, dia mais cumprido, etc e tal. brasa e fumaça, só mesmo dos meus cigarros. e ontem na verdadeira véspera prá dar um clima de forró botei ‘xique-xique’ de Zé Miguel Wisnik, bem alto pra todo o mundo ouvir. e gostar. eu acho o máximo, de quem é aquela voz de baixo profundo e retado? parece com de Arnaldo Antunes, como só tenho esta música do ballet via mp3, só sei que é do ballet e é de Zé Miguel. e eu adoro.
vocês sabiam, que mp4 só existe nos Brasis???
achei hilário!!!
enfim, finalmente hoje, confusões esclarecidas em ambos hemisférios e continentes. hoje, 24 é s. João, e dó Maria agora sabe que o de tia Yara é amanhã. todos nós esclarecidos e desconfusados.
nem sei de quando deixei de gostar de s. João. será que foi quando eu tomei uma carreira de espada, lá em sto. Amaro, num s. João com minha colega do Sophia? ou será que foi quando eu tomei uma carreira de espada em Cachoeira, alguns anos mais tarde com uma turma da escola de teatro… assim ou assado, passei a achar festas juninas um tédio, quando se começou a comercializá-las. perdeu o charme e a melancolia das festas que eu conhecia quando era menino. as músicas não eram esta maquinaria de textos com conotação sexual, bem dizendo que conotação, nem é mesmo a palavra certa. mais explícito que os textos de ‘forró’, só mesmo em filme de putaria no cinema Jandaia… ainda existe??? ou já virou igreja evangélica??? o máximo isso, de cinema de putaria pra igreja evngélica, mas aquele cheiro de suor, misturado com esperma e mofo, nem água benta tira!!!

nem vou começar a contar dos s. Juões lá do cabula. nem tô em clima de nostalgia hoje. mas que era bom, ah era. cortar bandeirola, enfeitar tudo, armar a fogueira, comer as guloseimas de Bibita e de Naju. nunca comi outro bôlo de aimpim, ou canjica igual a s de Bibita!!!! tinha vez que vinha até um conjunto sertanejo e tocava ao vivo e a cores. tinha balão, traque-de-massa, cobrinha, foguete, tinha ainda no s. Antonio, primas desperadas enfiando facão virgem em bananeira, no meio da noite, roubando o menino Jesus do colo de s. Antonio pra arrumar marido. tinha camisa quadriculada, remendos costurados na calça Lee, chapéu de palha, lápis de olho pintando bigodes, sobrancelhas juntas, sardas e dentes podres.

e tinha principalmente a igenuidade. a dos mais velhos de então. a dos tempos talvez, e (talvez principalmente) a minha própria.

perdi, perdemos, perderam.

e então? o movimento natural das coisas. tudo mudou. eu também. não posso ficar lamentando perdas, se também elas fazem parte do ritmo e do movimento natural das coisas. bola pra frente, que atrás sempre vem gente.


por falar nisso: amanhã o couro vai comer aqui, Berlin é a maior cidade turca depois de Istanbul. e amanhã pra quem ainda não sabe, ou até nem quer saber, é jogo de futebol Turquia X Alemanha. EM 2008. e vai rolar muitia porrada! boa romaria faz…

ademã que vou em frente!




beijús!

6.23.2008

pesadêlos

segunda-feira, já quase se despedindo e eu meio que me sentindo como se tivesse filado aula. isso me lembra que até hoje, eu ainda tenho pesadêlos com isso. sonho que nunca que ia conseguir passar de ano. porque adorava filar aula de biologia e física.
pesadêlos. fico me perguntando se muita gente é assim como eu, que os sonhos ficam se repetindo mais do que na sessão da tarde, onde já quase nem se repete mais, tamanha é a produção de filmes péssimos que a porcaria da tv globo passa. sem falar nas dublagens, com excessivo sotaque carioca e sem a menor intenção. verdadeiro pesadêlo.
aqui na alemanha, eles adoram dublar os filmes, eu tenho de catar o cinema onde eles apresentam o filme em original. não tem a menor graça ver a cara de um ator e ouvir a voz de uma outra pessoa numa outra língua que nem mesmo é a minha.
viva a invenção dos dvds com a possibilidade de escolher ver o filme da forma que eu quero.
basta dizer que praticamente abandonei os cinemas e na maioria das vezes vejo o filme quandop ele sai em dvd. viva a minha liberdade de escolha.
assistir ‘cidade de deus’, dublado em alemão??? ‘central do brasil’, impossivel não quere ouvir a voz e a musicalidade de Fernanda Montenegro. um dia desses de noite vi o filme seguinte de Walter Salles, com Rita Assemany, em alemão na televisão, não deu, doeu… foi pesadêlo! impossível ver Rita dublada em alemão.


então, será que eu tava mesmo era com mêdo de ter pesadêlo se eu não botasse pelo menos isto no blog??? realmente não queria sonhar com a minha professora de biologia.



ademã, que eu vou em frente!

6.22.2008

21.6.2008







ontem foi a noite mais longa do ano. o verão entrou em cartaz oficialmente. 21 de junho.





o pragmatismo alemão, sempre se lembra deste evento, precavendo que a partir de então as noites começarão a encurtar. mesmo que seja um minuto por noite. mas esta necessidade de alerta caracteriza bem a forma de pensar e de agir dos alemães. tudo e qualquer coisa, tem um outro lado, um outro aspecto a ser medido, discutido, apreciado, execrado, nada se engole aqui de graça. aqui tudo se pesa, tudo se pensa, tudo se mastiga ad infinituum.
berlin no verão é uma eterna festa. neste final de semana foram muitas. ‘fête de la musique’ in Kreuzberg, Neukölln e Friedrichshain (tres bairros em Berlin), 48 studen Neukölln (um festival de arte local do bairro), Motzstrassenfest (festa da rua Motz, reduto gay de classe média alta no bairro de Schöneberg). sem falar da febre futebolística que avassala a cidade. com a Turquia se classificando depois de jogos já quase perdidos, mudando o placar pouco antes do apito final. eu não gostava de futebol mais passei a gostar depois de velho, aliás comecei a gostar de muitas coisas que eu não gostava depois de velho – mas isso é um assunto pra outra vez. todos os bares com telões de tv, lotado de gente de todas as nacionalidades assistindo aos jogos. berlin é uma festa. parques, ruas, bares, clubes, beira do rio, beira de lago, esquinas tantas. em qualquer lugar, as pesoas se encontram e festejam assim o verão. a luz e o calor. novos, velhos, miúdos, graúdos, gordos, magros, pobres, ricos, cores e nomes em coloridíssima diversidade. o verão trás uma áurea de democracia social consigo. além disso Berlin é uma cidade de proletários e na guerra fria abrigou uma cidade dentro da outra, fazendo com que uma grande avalanche de eventos políticos e culturais acontecessem aqui. e hoje em dia atrái uma renca enorme de gente de tudo que é lado do mundo. aqui é fácil e barato de se viver. freaks, hippies, punks, gente de esquerda, a esquerda da esquerda, artistas de todas as espécies, enfim gente de todos os cantos do mundo terminam parando por aqui. como é o final de semana da ‘fête de la musique’ nestes tres bairros já citados, inúmeros palcos armados e muitos outros improvisados, música por todos os lados e pra todos os gostos. sentado na frente de um bar com amigos, ouvindo a um concerto, via uma quantidade enorme de gente de todas as idades, cores e rótulos passando. ou apenas pegar uma cerveja de 1 euro no quiosque mais próximo se sentar num parque e jogar conversa fora ao som de uma banda que apenas começou a se formar, alí do seu lado e observar a diversidade de gente passando passando. mais tarde e especialmente aos domingos, as festas de improviso nos parques. DJs trazem sua parafernália e um bando de gente se junta pra dançar. sem hora e/ou dia previsto para terminar. quem ouve as lendas do que era esta cidade nos anos 20 do século passado, pode mesmo reviver tudo isso ao vivo e a cores. tudo com esta estética, idéias e conceitos dos anos 2000. Berlin se hoje fosse um filme, seria uma mistura de ‘cabaret’ com ‘hair’, uma pitada de ‘laranja mecânica’ muito ‘velvet goldmine’ tudo isso sob roteiro de Fassbinder e direção de David Lynch (ainda não etsou bem seguro com a escolha do diretor, talvez o mais adequado fosse mesmo Stanley Kubrik, definitivamente !!!) não consigo me ver, morando em outra cidade, pelo menos no momento. como depois de tantos anos vivendo na Alemanha e 6 anos de Berlin, impossível não me deixar contaminar pelo pragmatismo. mas só um pouquinho, nada combina tão pouco comigo quanto iser pragmático. mas o que eu queria dizer é que nem tudo é um mar de rosas sempre. quando o outono chega e os dias realmente ficaram mais curtos. o bom humor e o otimismo deixam a cidade de lado. abandonados, muitos vão hibernar em outros hemisférios, fazendo da vida um eterno verão, outros hibernam é por aqui mesmo, vestindo-se em longos mantos de mau humor. ou simplesmente empurrando o mundo com a barriga, outros fazem da noite dia, de uma forma ou de outra o clima é em todos os sentidos outro! pessoalmente eu gosto ter 4 estações de ano. mesmo que no momento atual não tão bem definidas como antes, mesmo assim! (um clichê me persegue em se sabendo de mim emigrando do Brasil, alemães sempre me perguntam se o clima do Brasil não me faz falta. não! obrigado, calor e humidade. duas poucas sensações: sêco ou molhado) berlinenses são bem conhecidos pelo seu temperamento, este muito sêco, muitas vezes duro, mas por outro lado de uma sinceridade assustadora. nada como um bom esporro em alemão, quem já experenciou sabe o impacto e a força que ele emana. e basta você encarar alguém no metro, mais do que 10 segundos para a inevitável pergunta: que é que você quer comigo? se der bobeira, sai até uma porrada! no inverno, as pessoas se escondem como ratos, mas basta fazer um dia de sol, nem mesmo importando o que o termômetro ta dizendo. todos saem dos seus buracos, atrás de um pouco de luz pra alimentar os hormônios. tudo fica diferente. a cidade muda de cara. as pessoas mudam de cara. e o bom da estória pragmática é saber que no dia 21 de dezembro, todos vão comentar, que esta é a noite mais curta do ano e que a partir de amanhã os dias serão de novo mais longos.



fotos. minhas, feitas com a HOLGA.
Oranienstraßenfest. 2004


6.21.2008

na rampa















foto minha. rampa. 2006.


na rampa do mercado. parece uma cama, era. não era. parecia arte. é. apenas uma mesa, embrulhada. queria ter me deitado ali. combinava com a preguiça companheira incansável do calor. tinha até qualquer coisa de sensual, um conforto quase que misterioso. queria era me deitar alí. olhar o por do sol, sonhar com piratas.

6.20.2008

shhhhhhh!


mudo. calado. sem idéia ou sem vontade de escrever (?). procurei imagem. queria uma flor. achei. mas nem era dia de flor.
achei esta foto. tirei-a em Israel em 1999. num restaurante em beira de estrada no mar morto.
fico mais mudo e mais calado.


mude. still. without ideas or simply lazy (?). looked for an image. wanted a flower. found it. but not quite a day for flowers.
instead found that one. taken in Israel, 1999, in a drive-in restaurant by the Dead Sea.
still.

6.19.2008

familia.1 (português)

foto. anônimo. Carnaval, ABB, Salvador, Bahia. 26.2.1968. da esq. para dir.: Maria, eu, tia Yara.


o Cabula era familia. se não era parente morando alí, era também filho de italiano, ou brasileiro de pai mãe e parteira, vizinho, amigo, cumpadre, cumadre, até comborça devia ter.

a Maria, prima de minha infância, era outra, também prima da outra (ói o nó na cabeça de meu amigo! – nem vou começar contando pra ele da parentada que começou a casar entre sí… a família se mostrou um pouco insestuosa, uma outra estória).

Maria Paternostro, filha de tio Paulo e de Najú. Maria tinha uma casa de bonecas no Cabula. mas não estou falando de uma casinha de bonecas, não! era casa mesmo, de tijolo, telhado, janela e tudo mais. Najú mandou construir pra Maria brincar de professora. e tinha mesmo tudo de sala de aula devia ter, cadeira, mesa de professora, quadro negro, tudo. na sua grande maioria a classe de aula era composta das inúmeras bonecas de Maria, com uma única excessão: eu. que devia ser bem pequeno e nem conhecia jardim de infância. mas adorava ir pra ‘Escola de Maria’. tinha aula, recreio, merenda…

Maria era também minha guardiã, nos carnavais na ABB, sempre de mãos dadas comigo, tomando conta do primo.
o Cabula era o máximo… talvez uma Belmonte miniatura do lado da cidade. festa de são João no cabula era uma coisa inenarrável.

como temporão, aproveitei muito pouco do Cabula. depois das mortes de meu avô e depois de minha avó, os adultos resolveram vender o Cabula.

muito tempo se passou, a família meio que se perdeu de vista, eu entrei na adolescencia, depois nos anos oitenta (!!! quem sabe, sabe!). voltei a rever parentes, no meu reencontro com Carmen (irmã de Maria, esta), nos finais dos 80. voltei a rever Maria. daí vim pra Alemanha com Carmen… os anos se passaram.

2008. três meses quase no Brasil. Maria me emprestava o carro, me pegava de manhã, eu a deixava no trabalho, lhe pegava no final de expediente. demos muita risada… conversamos muito, trocamos figurinhas e lembranças muito boas. saudades.


beijús! ademã que eu vou em frente!

6.18.2008

família (português & english)

ontem a noite fui tomar uma cerveja com meu amigo Gregoire, estávamos conversando, sobre a minha ida ao Brasil, sobre o blog, isso e aquilo. quando de repente ao relatar sobre o aniversário de 60 anos de Maria Sampaio, ele observou: ‘você fala dela como eu falaria de um amigo, impossível falar de alguém da minha familia desta forma’. desnecessário cavucar sobre as relações familiares deste meu amigo. de uma forma ou de outra europeus, e principalmente os alemães, tem uma outra forma de ver os laços familiares. no meu caso com Maria, onde somos primos de segundo grau, para um europeu, quase já nem mais seríamos parentes. desnecessário até tentar explicá-los que até mesmo somos parentes por dois lados, meu avô era o irmão mais novo (até então) de sua avó, nascidos no sul da Itália, atravessaram o atlântico com a mãe (nossa bisavó) criancinhas. este avô casou com uma filha de italiano com uma brasileira, esta minha avó era prima carnal do avô de Maria, aquele que casou com a avó dela italiana. deu pra entender???
e precisa(?)... ela mesmo, Maria, ganhou letra pro Bolero dela, Jota Velloso escreveu muy certamente: ‘amigos são parentes que pude escolher’. Gregoire, meu amigo, está explicado agora? ou será que ainda deu mais nó na sua cabeça?

sejá lá como for. parentes e/ou amigos o que importa é o amor e a admiração que sinto por ela. e mesmo que não fóssemos parentes, como talvez até creiam europeus desgarrados, eu a escolheria de cara como parente.




fotos
both done with a Holga. ambas feitas com Holga
left Maria by me. esq.: Maria por mim
right me by Maria. dir.: eu por Maria

Paris, 2005



last night I met a good friend of mine for a couple of beers. we were talking about my last visit to Brazil, the blog, family, this & that. I was telling him some stories about my cousin Maria Sampaio, her 60th birthday and so. He told me that I spoke about her like he would speak about a friend. he wouldn't talk about his family like that. in any case, europeans have a different concept of family. if I tried to explain that I am cousin with Maria by 2nd degree, some may say, specially germans, you are not related anymore. but even if I said that we are connected by two sides, one by my grandfather and her grandmother, both born in south Italy and gone together as little children to Brazil. and than, that my grandmother who married him, was cousins with the man who married her grandmother. confusing??? may be. I really don't care. she is special and has always been someone I really admired, all my life long, maybe that is why my friend Gregoire had that feeling I were talking about a friend. who she also is. sometimes a friend, sometimes a mother, always a beloved cousin and mostly a very special woman.
Jota Velloso, a brazilian song writer, wrote lirics for a song written for her, 'bolero Maria Sampaio', in which he begins saying: 'friends are the relatives I could choose'.

there we go Gregoire, she's a chosen relative and a relative who became a dearest friend.

6.17.2008

beyond the horizon


when I was 12, and everything started to change. my body, my face, my voice, my penis, my moods. specially my moods. my mother started to send me to spend the summer in her hometown. Belmonte a little village, forgotten in south of the state of Bahia. where almost every one was a relative, maybe a distant one, but even if not, was someone who knew some relative. she felt I were safe from the temptations of the big city and the dangers of summer holidays.
I was so happy, for knowing that Belmonte meant exactly the oposite: freedom!

nobody cared about a bunch of pre-adolescent freaks hunting for adventure, trying to calm down their hormones, and besides for sure after lunch, uncles, aunts and all grown-ups went to bed, trying to avvoid the heat or maybe doing something even better...

I spent all those afternoons trying to discover and to experiment all those changes... the heat helped. and there were a lot of hidden places, walking by the river, getting into the woods, litlle golden creeks, going to the distant beach, all this recalls me a very special sweet scent of hot sand, sea, the river jequitionha, crab meat, chili, cowshit, sweat and sex.


by the end of the afternoon, going to my aunt's ice-cream shop and listen to her, dreaming of the movies with Charles Bronson. after sunset, shower, dinner and than going to the main square, to see and to be seen.I never felt like an dumb pre adolescent idiot, full of acnes and inconvenient hard-ons, just felt the most normal person of this world. Belmonte was like paradise... in those nights, going around the St Sebastian Square, listening to the local kind-of-radio-station, dreaming of holding hands, stealing kisses, maybe even a little further in one of endless dark little lanes. I dreamt of being a famous surfist, far away in Hawaii, so far away, beyond the horizon. these days seem so far, 1976, 1977, 1978. but still if I close my eyes, I can feel the sweet scent of those days in my nostrils.

1999, I went to Hawaii. I there I was beyond the horizon. still thinking about those days in that so little town, where I had the best days of a so hard lifetime. Belmonte was Hawaii. Hawaii was Belmonte. Also there, back in 99, I had the most wonderful experience of those days. I learned so much about so many things I was still so afraid of.





I may say I feel really lucky to have had both experiences. so far from each other and still so close.


last year I came back to Belmonte after my last visit in 1978. the scent is till the same.



fotos:
anonymous, Belmonte, carnival of 1978. Me and my little cousin, Maria Aparecida.

Michael Kroell, Maui, Hawaii, 1999.






além do horizonte -dedicado especialmente a Lelo Filho, neste sistema virtual de alto-falante





estava dirigindo em Salvador, ouvindo rádio, quando de repente começou a tocar “além do horizonte” do Rei… aquela canção me fez viajar tão longe. no início de minha adolescência, quando eu era enviado para Belmonte, cidade natal de minha mãe, onde pelo menos metade da população é parenta, aparentada ou conhece bem algum parente. o que para minha mãe parecia ser um alívio, os meses de férias mandar o filho adolescente para uma cidadezinha de interior onde nada acontecia e que tinha muitos olhos pra vigiar... na verdade era bem outro o negócio para mim. Belmonte era o paraíso na terra e eu ia muitíssimo agradecido passar os verões na terra tão cheia de parentes. aparentemente tão escassa de privacidade, mas na verdade, depois do almoço quando os mais velhos iam dormir de barriga cheia, crianças e adolescentes, tomavam conta das ruas e becos quentes da cidade. dos matos, dos quintais.do caminho da praia, dos mangues.
Belmonte tinha um cheiro especial e doce, que até hoje guardo comigo e as vezes mesmo estando tão longe quando eu fecho os olhos eu consigo sentí-lo. biribiri, guaiamun, as águas douradas doces dos córregos, o Jequitionha, dendê, pimenta, suor, o sexo adolescente brotando brotando.
Belmonte era principalmente esquecer das mazelas do inicio de adolescencia na capital. acne, espinhas, quebra de voz, todas as inseguranças , os medos, as dúvidas, nada disso existia nas ruas de Belmonte. no final da tarde tomar sorvete na sorveteria de tia Waldir, que me contava de suas aventuras no cinema assintindo a todos os filmes de Charles Bronson, sua grande paixão. depois do por do sol. ir pra casa, tomar banho e café. e de noite ir pra praça. dar uma volta na praça, chupar um picolé – e mesmo ainda não sabendo das conotações tão sexuais desta tão singela frase (ah esses santamarenses!!!) – o momento tão esperado do dia: na esperança de talvez poder pegar na mão do objeto do desejo, talvez até um beijo furtado, ou como os mais velhos já faziam roçar e dar beijo de lingua em algum beco escuro. na volta na praça, podia se dedicar uma música a alguém. havia um serviço de alto-falante. outro ponto culminante ao fechar do dia. e “além do horizonte” era A música. lá-lá-lá-lá-lááá… lá-lá-lá-lááaa-lá-lá!!!! dediquei, e até mesmo recebi dedicações, coisa na vida de um adolescente só possivel de se acontecer em Belmonte. eu queria tanto ir além do horizonte… 1976, 1977, 1978… o tempo em que eu queria ser surfista, usava malha ‘hang-ten’ com imagem e nome de waikiki. justa, colada e de barriga de fora. ah que saudade da aurora da minha vida!!! Belmonte! o Hawaii era alí. hoje remechendo nas fotos para escanear achei estas duas. a primeira tirada em 1978, a última vez que fui a Belmonte. Gajé (meu herói e nas horas vagas primo) beijando Sandra na beira do Jequitionha. acho que no momento em que fiz esta foto na minha porretinha, eu ouvia internamente “além do horizonte”. a outra, eu nas pedras da ‘red sand beach’ em Maui, Hawaii, 1999, quando eu fui alí, além do horizonte
















voltei a Belmonte, no ano passado. o cheiro da cidade continua o mesmo!


no final da viagem ,meu amigo, grande amigo Lelo Filho me deu dois cêdês com muita música. para minha grande surpresa - parece até que eu estava desejando, depois de a ter ouvido num dos muitos congestionamentos dou caótico transito soteropolitano - num dos cêdês havia "além do horizonte", até mesmo duas vezes, uma com o próprio Rei Roberto Carlos, ao vivo no MTV. a outra com Jota Quest. Obrigado Lelo, você nem faz idéia de onde você conseguiu me remeter com seus cêdês. beijo grande




fotos:
Miro Paternostro, Belmonte, 1978, Gajé e Sandra. por de sol no Jequitionha.

Michael Kroell, Maui, Hawaii, 1999. Eu nas pedras da 'red sand beach',, praia de areia vermelha.

6.16.2008

nachruf








polaroid ist gestorben. die filme werden nicht mehr hergestellt. habe ich letzte woche erfahren. eine unglaubliche traurigrigkeit.

obituary









polaroid died. heard about it last week. they don't produce the films anymore.
proufdly sadness...

obituário











morreu a polaroid. soube na semana passada que já pararam de fabricar o filme. virou passado. ficou na história. tristeza inenarrável.

6.15.2008

palimpsest


































hoje é domingo. pé de cachimbo. e eu to uma preguiça danada de escrever. portanto imagens.
palimpsest foi a série que eu fiz para a exposição 30X30 em Munique no final do ano passado na Galeria Kunstbehandlung.
















sunday. and I feel so fucking lazy to write. instead, images.
palimpsest was the name of that work, I have done for the exhibition 30X30 at the Gallery Kunstbehandlung in Munich. Winter 2007/2008.

Sonntag und ich habe kein Bock zu schreiben. Dafür Bilder der Ausstellung 30X30/2007 in der galerie Kunstbehandlung. München, Winter 2007/2008.






























www.kunstbehandlung.de

6.14.2008

for bahianos and tourists


foto by me. bahia 2003








simply impossible for me to translate the great poetry of Gregório de Matos. I wouldn’t dare! the reason I chose the poem I used in the portuguese version is the actuality of this poem. written by a poet, born in Bahia in 1623. he was well known for his sarcastic and witty poetry. in that fragment I chose, he makes fun of the curate, who is supposed to save the city out of its vices and decadency, but instead, he himself falls into its sins, corruption and misery.

from march till the end of may 2008, I was there. re-visiting… the city was calm after carnaval and a small summer. but it has changed. poverty, meant: misery has taken the city like an epidemic. sad to see so many people, young and old, living at the streets sleeping at the side-walks, some with no teeth in their mouths and no idea of future. crack has taken care of most, a little kick out of the miserable existence, cheap, fast, corrosive. sad.
to get money they search for plastic bottles to sell, they beg, they rob. to get alive they search for something eatable in the garbage bags of the rich or the middle-class. I cannot count how many times I had to see people eating directly from the garbage bag in the middle of the day. sad.
some others just sell themselves for the tourists. bahia became a hot spot for sex tourism. in the beaches, people sell their bodies the same way they sell caipirinha, beer or souvenirs. young and fresh but already spoiled. no Cole Porter romantic. at all. gringos with dollars, euros, pesos, pesetas, doesn’t mater. cash matters.young people, sometimes too young. fucking sad!


life sucks.

but still the city smiles at everyone, even if sometimes she looks like a toothless woman, full of ruins, but still showing beauty among misery, luxury side by side with misery. the old toothless lady still has some golden teeth, still has some beauty to show. the old prostitute.

‘sad Bahia, oh how dissimilar’


every time my flight arrives, flying over the bay, I cry, for gratitude of being back, for how lucky I feel for being born there.


every time my flight leaves, flying over the bay, I cry for shame, for seeing my so beloved city desmantling and tumbling down.

I wish she were that old lady, whom I could hold in my arms and take care of. but who am I? if nothing changed in 489 years, she only grew bigger and bigger, uncontrolled.

at least I can still love her. from the distance.

aos bahianos e aos turistas







‘triste bahia, oh quão dessemelhante’


já disse o poeta, o grande poeta Grégorio de Matos nos idos do século XVII. e ainda ssim, a bahia parece ser a mesma, apenas se acumulando de gente, de favelas, invasões, miséria, crack e putaria.

‘o cura, a quem pede cura
de curar esta cidade,
cheia a tem de enfermidade
tão mortal, que não tem cura:
dizem, que a si só se cura
de uma natural sezão, que lhe dá na ocasião
de ver as moças no eirado,
com que o Cura é o curado,
e as moças seu cura são.’


Grégorio de Matos, trecho de ‘Ao Cura da Sé que Naquele Tempo,
Introduzido ali por Dinheiro,
e com Presunções de Namorado
Satiriza o Poeta Como Criatura no Prelado’



e eis que hoje passados mais de trezentos anos, estes versos são ainda de tamanha precisão e verdade. e não é só na poesia onde se vê que pouco se mudou na bahia em quase tão poucos quinhentos anos de existência.
estive três meses na bahia, cheguei depois do carnaval, quando a cidade já parecia ter se acalmado do verão curto e dos dias de excesso da folia. ano de eleição e nem a chuva nem as águas de março chegaram na hora marcada. poucos os buracos para tapar e fazer de conta que a cidade em obras é uma coisa absolutamente normal e que não estamos em ano de eleição.
o que me entristeceu na cidade certamente nãao foram os buracos, mas foi ver a cidade inundada de gente pobre miserável, dormindo no chão duro, sem dentes na boca e sem futuro. lavando-se nos canais de esgoto, quando muito. já não cheiram cola, os meninos que vagabundeiam pela barra e chame-chame, fumam crack. muitos, e nãao só eles! e a miséria toma conta da cidade como um vírus, como um ácido corrosivo, um vício. a cidade tão (en)cantada, do avião tem cor de barro queimado de milhares de blocos de tijolo das invasões que se proliferam por onde a vista der de se perder. sem teto tomam conta das ruinas, que não são poucas como cáries em uma boca meio baguela mas ainda tão sorridente. centro histórico, comércio, ladeira da montanha, grande boca banguela, sorrindo pro cartão postal da cidade. vergonha!
triste bahia ó quão dessemelhante.
toda vez que meu avião entra na baía de todos os santos e sobrevôa a penísula itapagipana, eu choro! choro de emoçãao, de alegria e da sorte que eu tive em ter nascido alí.
toda vez que meu avião sobrevôa a baía de todos os santos na hora de voltar pra berlin, eu choro, choro de tristeza… de ver minha bahia assim se deteriorando, fedendo a lixo, com tanta gente bonita sem um sentido de vida, fumando crack, se prostituindo, roubando, matando. muitos vivendo dos lixos dos gran finos…
não existe doença pior que a miséria. não existe pecado pior que a ignorância. detesto ver os turistas chegando aos bandos, fazendo do meu tão querido porto da barra um bazaar de sexo. meninos, meninas, homens, mulheres alí saudando os gringos bestas com massagens, colares, missangas, corpos, suores, odores e sexo. tudo por uma cervejinha, por um baseado, por um punhado de euros, por um pouco de anestesia que os livre da miséria ‘nossa’ de cada dia.

evangélicos tomam conta da paisagem da cidade e do país, nos ônibus tudo se vende: caneta, picolé, bala, chocolates se derretendo no calor arrasante da cidade, bíblias, taboada, até escova de dentes tentaram me vender no ônibus. no caminho que eu fazia diáriamente para ver meu pai, no caminho de areia, no trajeto ribeira/sabino silva. e também lá na penísula, a miséria corroi, os sobrados se acabam, a paisagem é bem outra do tempo em que era menino e alí vivia.

queria poder abraçar minha cidade e acariciá-la,tomar cuidados dela, mas quem sou, pra mudar a história que vem se repetindo inevitávelmente desde os tempos do poeta. quem sou eu pra quere curar a cidade. só me retsa ainda e mesmo assim amá-la. de longe.

só me resta sentir saudades.



fotos by Miro paternostro
HOLGA, bahia 2005

6.13.2008

Friday, June 13, 2008

I have a very dear cousin in Brazil, who started with a blog a couple of days ago. for me she is being a kind of muse and always an inspiration. after reading her blog everyday I got inspired by her courage and talents. I dedicate my blog to that very special woman. Maria Sampaio. I love you.

today is friday the 13th, good day for a start. besides in Brazil, june 13 is the day we celebrate St. Anthony, who I think may be a very good patron to this project. where I want to share memories, stories and thoughts, pictures of my own, drawings and everything else I have been producing all those years. living in Germany, more than 20 years working in theater... a couple of years ago I decided to quit the job. sick and tired of the histerical german way of making theater. I found no passion anymore and was really getting afraid of becoming a very sick old man, such as many I got the chance to know in all those years. I rediscovered that I could paint, something I completely forgot. this blog is also a way for me to divulge my art. the picture at the right corner is one of the first series, which is called ‘parade’ at some point I will put some more pictures on line. not by accident I chose this picture for my profile, this one I gave to my cousin Maria last year.

‘a vida como ela é’ means ‘life such as it is’ (forgive me you all, my english may be a little out of shape). this is a homage to a very polemic brazilian author. Nelson Rodrigues, whose work I really admire. he lived in a time in which the idea of 'political correctness' never thought of existing. maybe that’s the reason I wanted to pay homage to him, I do think political correctness is a form of censure or even cowardice. as long as respect is always been envolved, I do think everyone should say whatever he thinks!!!

in the portuguese version I had finally had my coming out. finally, at least virtually, for each and everyone who wants to read it. nobody pays my bills.! so, who the fuck cares? besides, last year in Brazil visiting my father, who is suffering on alzheimer, he told me in a moment, either of lucidity or delirium, that he always knew about that, but he never cared about it, just because he loves me. and that is what really matters. I was absolutely speechless.

so I guess, that's all folks


see ya


*m

sexta feira 13


como tudo aquilo que minha prima e musa Maria Sampaio faz, eu acho o máximo e as vezes quero fazer também... depois de remexer em minhas fotos, minhas lembranças, meus desenhos, meus papéis, resolvi que também lançar um diário virtual seria uma idéia! afinal para que ficar guardando as lembranças em caixas, envelopes, gavetas, se não ter com quem repartilhá-las.
portanto Méuris considere-se invejada, mas de uma forma boa... pode ter certeza de que eu não vou virar escritor.

pra inicio de conversa, bom começar um diário numa sexta feira 13 e dia de santo antônio. logo de ante mão avisando a parentes e alguns amigos (principalmente parentes), que vão passando por cima e perdoando (?) a minha indiscrição e as vezes as coisas que aqui escreverei, afinal se trata de um diário. e se alguém ainda tiver algum problema com o fato de eu preferir namorar com rapazes invés de moças, então nem precisa folhear as páginas do meu diário de bordo.

sim, eu sou viado... e com tanto orgulho quanto o prefeito de Berlin, que assim o disse quando se candidatou a prefeitura. dito, falado e publicado pra quem quiser ler. ninguém paga meu aluguel!!!! além disso na minha visita à Bahia no ano passado, meu pai, um grande retrogrado, num momento de lucidez ou de delírio, me disse não ter problema com o fato, porque eu sou seu filho e ele me ama... fiquei pasmo, abestalhado e absolutamente sem palavras. mas hoje em dia na distância quando penso nisso ainda me emociono muito. pena eu não poder mais conhecê-lo de verdade, pois ele se perde nos labirintos de alzheimer, e tantas lacunas e hiatos ainda me distanciam da história desta pessoa. que pena!

a vida como ela é. uma pequena homenagem a Nelson Rodrigues, grande escritor, autor, jornalista, cronista brasileiro. o grande reacionário e grande punk muito antes de punks existirem! 'a vida como ela era', crônicas de sucesso de NR, publicads por dez anos, entre 1951 e 1961 no jornal 'a última hora'. escolhi homenagear Nelson Rodrigues no título de meu diário porque vivemos em tempos de 'political correctness', nem sei como é que vocês dizem esse termo aí no brasil., sei apenas que PC (como eles chamam esta bobagem por aqui) é apenas um sinônimo de CENSURA! como Nelson Rodrigues era a antítese da ideolgia de PC. o que até na associação da sigla com o PC (o do partido) faz o maior sentido, porque além de escandalosamente reacionario ele defendia idéias de extrema direita, isso nos tempos da ditadura. idéias que não compartilho. mas mesmo assim ainda defendo a idéia de que todas as idéias devam ser ditas e debatidas. portanto, mesmo cometendo este pecaso capital: viva Nelson Rodrigues!!!

outro aviso de iniciação: as vezes escreverei também em inglês e em alemão, não por bossalidade, mas para poder compartilhar com meus amigos daqui e do outro lado do atlântico norte.

acho que por hoje basta.

viva santo antônio!!!


ademã, que eu vou em frente