Pesquisa personalizada

7.25.2008

Obama em Berlin

ele veio. e vieram também as mulidões. 200 mil pessoas, algumas vindas até de outras cidades da Alemanha. óbvio que eu não fui. preferi observar tudo do conforto das minhas quatro paredes.
uma coisa ainda me intrigava, toda aquela estória de 'quem matou Barack Obama?'. daí quando ví o cara entrar no palco e a multidão delirar, comecei a pensar no fato de se comparar Mr Obama com um pop-star, e de como que alguns deles que morreram jovens e trágicamente, como Joplin, Morrison, Hendrix, e cravaram em suas imágens esta aura de mártir para muitas gerações. seria essa uma resposta? será que estamos a procura de um novo mártir, de um novo messias? e precisamos sacrificá-lo para poder adorá-lo? somos todos cristãos, ou pelo menos vivemos numa civilização cristã. incorporados pela liturgia, ainda a espera de um novo messias, e óbviamente precisamos sacrificar nossos ídolos para poder adorá-los. seria essa a idéia atrás disso? ou seria mesmo uma estratégia de marketing, uma estrtégia política iniciada até mesmo dentro do clã político de Obama? em política americana, nada se deixa ao acaso.

a coisa toda da visita dele foi muito bem planejada, ele queria inicialmente falar em frente a porta de Brandenburgo, o lugar do legendário discurso de John F. Kennedy, quando de sua visita a Berlin em 1961. o governo alemão o negou, afinal se trata de um candidato e não de um presidente. deram-lhe a coluna da vitória, que fica exatamente em frente à porta de Brandenburgo. lógica de alemão, quase que de português. logo no início do discurso ele disse vir a Berlin como um cidadão do mundo e não como um candidato à presidência. quase que citando Martin Luther King. nas entradas para a avenida 17 de junho, uma equipe dele dava boas-vindas aos visitantes, a cada um um 'bom dia', um 'obrigado por ter vindo' e o que eu achei melhor de tudo: 'welcome to the show!'. e foi mesmo um show, meticulosamente planejado, ensaiado. e mesmo assim a platéia delirou. os jornais aclamam: Barack Superstar! mas o que foi que ele trouxe na bagagem, qual a mensagem do cidadão do mundo? uma coisa ficou bem clara, mesmo que se nas entrelinhas, mais soldados e mais apoio militar e financeiro da Alemanha na guerra contra o terrorismo, exatamente aquilo a que todos se opunham antes, por não simpatizar com Bush. agora aclamam e aplaudem. nós as ovelhas, ele o pastor. e de novo a liturgia.

Bush realmente foi o ápice do Mal. eu adoraria vê-lo como o primeiro ex-presidente americano a responder por seus crimes perante ao tribunal das nações unidas em Den Haag. o que de fato jamais acontecerá, nem mesmo num universo paralelo! McCain, incorpora o pobre veterano, ferido da guerra, casado com uma boneca Barbie e que já perdeu algumas eleições. seria no caso, trocar um energúmeno por um bobo da corte. Mr Obama representa o contrário de Bush, a começar pela aparência. rótulos. e agente sabe que o olho sempre come junto. não quero despresar as idéias de Barack Obama, mesmo porque nem faço idéia delas. e nem mesmo ninguém faz. talvez o primo Bernardo tenha razão, e a diferença entre ele e McCain estaria apenas na quantidade de melanina. eu realmente ainda não sei.

tento apenas ser um pouquinho otimista e repito comigo, dos males o menor.

será?

Boipeba, me aguarde!

P.S.: clicando no título da postagem vocês podem ver uma série de 24 fotos da visita em Berlin, adicionada da revista Der Spiegel.

5 comentários:

Anônimo disse...

Miro,
você faz uma análise da porra. Me senti pequenininha escutando conversa de gente grande. Muito bem.
Fotos da maior qualidade (olhei 6, depois continuo porque estou num mal humor de doer!)
Beijos Maria

Anônimo disse...

Vc me instrui meu primo. Seus comentários e observações são melhores que qualquer outro analista político. Bjs

Anônimo disse...

Poxa..esquecí de colocar meu nome aí no comentário anterior. Bjs

Bernardo Guimarães disse...

me arrependi um pouco, mas só um pouquinho mesmo de ter escrito sobre a diferença entre Obama x McCain, por receio de estar sendo superficial. tenho lido sobre as ideias dos dois na imprensa e, no que pese o fato dos democratas terem lá suas posiçoes mais "avançadas" que os republicanos, acho que, neste caso aqui, o que pesa mesmo é o inegável carisma do Barak. No fundo, no fundo, fica a torcida por um afro-descendente-filho-de-muçulmano-neto-de-nigeriano-nascido-no-hawaii-que-morou-nas-filipinas, que nós podemos usar para dar um bofete nas fuças do bush! depois de eleito, a gente vê.

Boipeba disse...

Boipeba é só para quem conhece.