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6.17.2008

além do horizonte -dedicado especialmente a Lelo Filho, neste sistema virtual de alto-falante





estava dirigindo em Salvador, ouvindo rádio, quando de repente começou a tocar “além do horizonte” do Rei… aquela canção me fez viajar tão longe. no início de minha adolescência, quando eu era enviado para Belmonte, cidade natal de minha mãe, onde pelo menos metade da população é parenta, aparentada ou conhece bem algum parente. o que para minha mãe parecia ser um alívio, os meses de férias mandar o filho adolescente para uma cidadezinha de interior onde nada acontecia e que tinha muitos olhos pra vigiar... na verdade era bem outro o negócio para mim. Belmonte era o paraíso na terra e eu ia muitíssimo agradecido passar os verões na terra tão cheia de parentes. aparentemente tão escassa de privacidade, mas na verdade, depois do almoço quando os mais velhos iam dormir de barriga cheia, crianças e adolescentes, tomavam conta das ruas e becos quentes da cidade. dos matos, dos quintais.do caminho da praia, dos mangues.
Belmonte tinha um cheiro especial e doce, que até hoje guardo comigo e as vezes mesmo estando tão longe quando eu fecho os olhos eu consigo sentí-lo. biribiri, guaiamun, as águas douradas doces dos córregos, o Jequitionha, dendê, pimenta, suor, o sexo adolescente brotando brotando.
Belmonte era principalmente esquecer das mazelas do inicio de adolescencia na capital. acne, espinhas, quebra de voz, todas as inseguranças , os medos, as dúvidas, nada disso existia nas ruas de Belmonte. no final da tarde tomar sorvete na sorveteria de tia Waldir, que me contava de suas aventuras no cinema assintindo a todos os filmes de Charles Bronson, sua grande paixão. depois do por do sol. ir pra casa, tomar banho e café. e de noite ir pra praça. dar uma volta na praça, chupar um picolé – e mesmo ainda não sabendo das conotações tão sexuais desta tão singela frase (ah esses santamarenses!!!) – o momento tão esperado do dia: na esperança de talvez poder pegar na mão do objeto do desejo, talvez até um beijo furtado, ou como os mais velhos já faziam roçar e dar beijo de lingua em algum beco escuro. na volta na praça, podia se dedicar uma música a alguém. havia um serviço de alto-falante. outro ponto culminante ao fechar do dia. e “além do horizonte” era A música. lá-lá-lá-lá-lááá… lá-lá-lá-lááaa-lá-lá!!!! dediquei, e até mesmo recebi dedicações, coisa na vida de um adolescente só possivel de se acontecer em Belmonte. eu queria tanto ir além do horizonte… 1976, 1977, 1978… o tempo em que eu queria ser surfista, usava malha ‘hang-ten’ com imagem e nome de waikiki. justa, colada e de barriga de fora. ah que saudade da aurora da minha vida!!! Belmonte! o Hawaii era alí. hoje remechendo nas fotos para escanear achei estas duas. a primeira tirada em 1978, a última vez que fui a Belmonte. Gajé (meu herói e nas horas vagas primo) beijando Sandra na beira do Jequitionha. acho que no momento em que fiz esta foto na minha porretinha, eu ouvia internamente “além do horizonte”. a outra, eu nas pedras da ‘red sand beach’ em Maui, Hawaii, 1999, quando eu fui alí, além do horizonte
















voltei a Belmonte, no ano passado. o cheiro da cidade continua o mesmo!


no final da viagem ,meu amigo, grande amigo Lelo Filho me deu dois cêdês com muita música. para minha grande surpresa - parece até que eu estava desejando, depois de a ter ouvido num dos muitos congestionamentos dou caótico transito soteropolitano - num dos cêdês havia "além do horizonte", até mesmo duas vezes, uma com o próprio Rei Roberto Carlos, ao vivo no MTV. a outra com Jota Quest. Obrigado Lelo, você nem faz idéia de onde você conseguiu me remeter com seus cêdês. beijo grande




fotos:
Miro Paternostro, Belmonte, 1978, Gajé e Sandra. por de sol no Jequitionha.

Michael Kroell, Maui, Hawaii, 1999. Eu nas pedras da 'red sand beach',, praia de areia vermelha.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ihhhh! Adorei saber que a música te trouxe tantas lembranças boas. Tão boas
e tão bem descritas, que a te senti um pouco do cheiro de Belmonte, mesmo
sem ter ido lá. Foi como um filme em que me transportei para as imagens e
sons, e a partir deles senti os cheiros e gostos da sua adolescência por lá.
"Além do horizonte" é daquelas músicas pra sempre, e em duas versões tão
distintas, deve ter sido bom pra você poder ouvi-la.
Os cedês são só uma forma da gente estar mais perto, através da música que
embalou nossos bons tempos. Músicas de sempre.
Obrigado a você!!!!
Bjs
Lelo

Edu O. disse...

Acho que você errou de cidade, você está falando de Sto Amaro, né não?