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6.27.2008

lingüiça

mais uma semana que se acaba, o mês já quase também. sempre fui uma pessoa impaciente. quando criança então, a lentidão da vida me torturava. queria eu hoje, ter os dias compridos de novo, ou pelo menos ter a sensação de ter mais tempo. acho que o grande problema se encontra no fato de eu detestar de acordar cêdo. e disto ter sempre sido um fiél companheiro na minha vida.

hoje tive que. tinha médico, marcado pras 9:40 do outro lado da cidade. tinha de ir, já que depois da reforma no sistema de saúde aqui, paciente ‘normal’ virou lixo e as vezes para conseguir uma consulta com um especialista você passa meses esperando. eu fui. acordei cêdo. liguei o piloto automático. entupi meus tímpanos com música – não sei viver sem música e além disso evita todo e qualquer contato com quem quer que cruze o meu caminho – peguei um café na padaria da esquina. fui.

fico abestalhado ao constatar que acordar cêdo não dói nem tira pedaço, mas não nasci pra isso. adoro a noite, isso não quer dizer que eu viva pelos bares e clubes de Berlin, não, eu gosto do silêncio, da calma da noite. muitas vezes pego a bicicleta no meio da madrugada e saio por aí, ouvindo música. as ruas vazias, principalmente nos dias de branco. alguns anos atrás, no meio da madrugada já voltando para casa vi pela primeira vez uma raposa no meio da rua. fiquei alucinado. depois fui descobrir que em todos os parques, e em todas as áreas verdes de Berlin, tem pelo menos uma raposa vivendo. desde então já vi muitas. até outro dia mesmo, aqui do lado de casa, eu ía devolver o dvd, quando do lado do passeio já vinha ela, um metro, um metro e meio de distância, com um rato enorme nas presas. tipiti-tatipi-tapi, lá ia ela, lá ia eu, não nos assustamos com a presença do outro, seguimos cada um de nós o seu caminho. eu fui o único a virar a cabeça, pra me certificar mais uma vez da sua existência. ela, nem tchum!

ela, com certeza, deve estar dormindo agora, provávelmente teve filhotes, encolhidinha com eles em algum buraco, aqui perto na beira do canal. e eu acordei cêdo, fiz o que tinha de fazer, fui ao médico, tudimpaz, voltei, ninguém me mordeu na rua, eu não mordi ninguém, todos são e salvos e eu na paz do meu lar. com uns quinze cafés já no bucho, olho com o canto do olho o relógio que coloquei do lado do compu, com o horário do Brasil. lá é cêdo cedíssimo, provávelmente todos dormem. vou terminar o parágrafo, colocar o décimosexto café no bucho e vou ganhar o dia.


ademã, que fui de frente!


beijús

2 comentários:

Anônimo disse...

Mirovsky,
as raposas, eu quero uma raposa... eu quero passear de bicicleta! Mas tenho um sariguê, uma bengala e um taxi.
Beijins da primãe
PS - Aquele negócio não está anunciando a atualização do blog direito

Anônimo disse...

Aquele negócio que Marys aí em cima falou é verdade:a informação do seu blog consta q vc postou há 3 dias. Seu relato mostra o qto vc gosta da noite. Lembrei de qdo ía lhe buscar antes do trabalho, sua cara de sono, hehehehe, na janela do ap de Yara, me esperando, os olhos cheios de sono e vontade de acordar. Bjs e bjs